Trump ameaça tarifas de 100% sobre importações canadenses se Canadá fechar acordo com a China, impacto em canola, carros elétricos e comércio bilateral
Presidente dos EUA ameaçou aplicar tarifas de 100% sobre importações canadenses caso Ottawa conclua acordo com Pequim, após anúncio de medidas sobre canola e carros elétricos
O presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão impor uma penalidade dura se o Canadá formalizar um acordo comercial com a China, elevando tensões entre os países vizinhos.
A declaração surge depois da visita do primeiro-ministro Mark Carney a Pequim, na primeira viagem de um líder canadense à China em oito anos, quando foram anunciadas concessões bilaterais.
As medidas incluem redução de tarifas sobre canola e autorização para entrada de veículos elétricos chineses com tarifa mais baixa, em comparação com a alíquota anterior.
conforme informação divulgada pelo g1
A ameaça de Trump e as palavras publicadas
Em postagem na plataforma Truth Social, Trump escreveu que, se Carney “pensa que vai transformar o Canadá em um ‘porto de descarga’ para a China enviar mercadorias para os EUA, está muito enganado”.
O presidente avisou, texto publicado pelo g1, que “Se o Canadá fechar um acordo com a China, estará imediatamente sujeito a uma tarifa de 100% sobre todos os bens e produtos canadenses que entrarem nos Estados Unidos”.
Essa formulação reafirma a intenção de usar barreiras tarifárias como resposta a alinhamentos comerciais que Washington considera desfavoráveis.
O que prevê o acordo Canadá-China e como isso afeta os carros elétricos
Segundo as informações divulgadas pelo g1, o Canadá permitirá a entrada inicial de até 49 mil veículos elétricos chineses com tarifa de 6,1%, bem abaixo da alíquota de 100% aplicada em 2024 pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau.
Carney afirmou que a cota aumentaria gradualmente, chegando a cerca de 70.000 veículos em cinco anos, e justificou que o país precisa acessar cadeias de suprimentos e aumentar a demanda local para desenvolver sua indústria de veículos elétricos.
A diferença entre a tarifa de 6,1% e a hipótese de uma tarifa de 100% por parte dos EUA cria um ponto de atrito, especialmente em revisão esperada do acordo entre EUA, Canadá e México.
Tarifas sobre canola, retaliações e valores envolvidos
O acordo também prevê que a China reduza tarifas sobre sementes de canola, conforme negociação citada pelo g1, com a expectativa de que até 1º de março a taxa combinada caia para cerca de 15% dos atuais 84%.
Em retaliação às tarifas canadenses anteriores, a China havia imposto taxas sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios do Canadá, como óleo e farinha de canola, e sobre sementes, o que provocou queda de 10,4% nas importações de produtos canadenses pela China em 2025.
Carney afirmou que os novos acordos devem destravar cerca de US$ 3 bilhões em pedidos de exportação para agricultores, pescadores e processadores canadenses.
Reações internas e riscos para a relação com os EUA
Políticos canadenses reagiram de forma dividida, com o primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, criticando a abertura para veículos elétricos chineses sem garantias de investimentos equivalentes na economia local, segundo o g1.
Dentro do governo dos EUA, alguns integrantes do gabinete de Trump já haviam expressado críticas à flexibilização canadense antes da revisão do acordo trilateral, embora o próprio presidente tenha mostrado apoio a Carney em declaração anterior à Casa Branca.
Se aplicada, a proposta de tarifas de 100% sobre importações canadenses teria efeitos imediatos no comércio entre os países, afetando cadeias produtivas, preços e negociações diplomáticas, e elevando a incerteza sobre o futuro das relações comerciais norte-americano-canadenses.