UE negocia com Brasil acordo para investimentos em lítio, níquel e terras raras, buscando reduzir dependência da China e fortalecer cadeia limpa e estratégica

Em cerimônia no Rio de Janeiro, presidente da Comissão Europeia afirmou que cooperação em matérias-primas críticas será pilar, com projetos conjuntos em lítio, níquel e terras raras

Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Ursula von der Leyen disse que a União Europeia negocia um acordo com o Brasil para investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras.

Von der Leyen afirmou que a cooperação em matérias-primas críticas será um dos pilares da relação entre os dois lados, e que os minerais são chave para a transição digital e limpa, e para a independência estratégica.

O anúncio europeu ocorre simultaneamente ao interesse dos Estados Unidos pelos minerais estratégicos brasileiros, e destaca que O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses minerais sem processamento, o que reduz o valor agregado capturado pelo país, conforme informação divulgada pelo g1.

O que Ursula von der Leyen declarou

Em seu discurso na cerimônia de celebração do acordo entre Mercosul e União Europeia, von der Leyen afirmou, literalmente, “Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção”.

Por que as terras raras são estratégicas

As terras raras são insumos essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos, chips, equipamentos médicos e tecnologias militares, e o processamento desses minerais concentra poder industrial em poucos países.

Com a China dominando o refino e o processamento, a União Europeia e os Estados Unidos buscam diversificar fornecedores e captar mais valor agregado, o que coloca o subsolo brasileiro em posição central na disputa geopolítica por matérias-primas críticas.

Impactos para o Brasil e próximos passos

Para o Brasil, acordos que tragam investimentos em beneficiamento e processamento podem aumentar o valor agregado local e gerar empregos, mas dependem de garantias ambientais, regras de conteúdo e parcerias tecnológicas.

Autoridades europeias e brasileiras agora precisam definir estrutura, cronograma e áreas de investimento, enquanto o acordo comercial Mercosul–UE avançou em paralelo, sendo um arranjo amplo e distinto das negociações específicas sobre terras raras.