Ações da Azul caem até 70% em um dia e 90% em cinco, entenda a oferta de R$ 7,4 bilhões, emissão de 723,9 bilhões de ações e a reestruturação no Chapter 11
Queda do preço por ação após emissão massiva, explicação sobre a troca obrigatória de dívidas por ações, e efeitos da reestruturação no valor de mercado e na liquidez
Os papéis da Azul registraram uma queda muito forte nesta quinta-feira, com oscilação que chamou atenção do mercado e de investidores, após a oferta que ampliou o número de ações em circulação.
A movimentação, segundo analistas, não representa, necessariamente, uma crise operacional ou escândalo, e sim um efeito direto da reorganização financeira prevista no plano de recuperação judicial.
A operação incluiu emissão e comercialização de ações para viabilizar a conversão de dívidas, totalizando R$ 7,4 bilhões e 723,9 bilhões de ações ordinárias e o mesmo volume de preferenciais, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que os preços caíram tanto
A queda acentuada no valor unitário das ações acontece porque a oferta aumentou drasticamente o número de papéis disponíveis, fenômeno conhecido como diluição. Quando há mais ações no mercado, o preço por ação tende a recuar, mesmo que o valor total da companhia seja reestruturado.
Na prática, a Azul lançou uma oferta para transformar parte de sua dívida em capital social, o que faz com que credores deixem de receber juros e passem a ser acionistas, reduzindo o endividamento da empresa.
Como funciona a operação e os números envolvidos
A oferta envolveu a emissão de 723,9 bilhões de ações ordinárias e o mesmo volume de preferenciais, vendidas em lotes de 1 mil e 10 mil papéis. O objetivo declarado é capitalizar a companhia por meio da “troca obrigatória de dívidas financeiras”, para viabilizar sua reorganização.
O aumento do número de papéis em circulação explica a desvalorização de curto prazo, sem que isso caracterize, por si só, um colapso operacional imediato.
Chapter 11 e o andamento da recuperação judicial
A Justiça americana aprovou o plano de reorganização da Azul em dezembro, etapa importante do processo do Chapter 11, mecanismo usado pela companhia desde o pedido de proteção feito em maio do ano passado.
Sobre a aprovação do plano no exterior, a empresa afirmou, “Essa decisão reforça a consistência geral da reestruturação proposta, permitindo que a companhia avance para as próximas fases de implementação”, disse a empresa em comunicado divulgado em 12 dezembro.
Segundo a própria Azul, a entrada no mecanismo ocorreu após enfrentar “efeitos profundos da pandemia de Covid‑19, combinados a pressões macroeconômicas e setoriais” que elevaram significativamente seu endividamento.
Impacto para credores, investidores e comparação com o setor
Com a conversão de dívidas em ações, credores deixam de receber juros e passam a participar como acionistas, o que reduz a alavancagem financeira da empresa, mas pressiona o preço por ação no curto prazo devido à diluição.
Outras companhias do setor aéreo já passaram por processos semelhantes, como a Gol em 2024, diante de dívidas estimadas em R$ 20 bilhões, e a Latam em 2020, com a Latam concluindo o processo de Chapter 11 em 2022, e a Gol saindo oficialmente do procedimento em junho de 2025.
A expectativa da Azul é concluir a reestruturação ainda neste ano, com a medida permitindo reduzir o endividamento e abrir espaço para reorganizar as operações e a estrutura financeira.