Afastamentos por transtornos mentais: mais de 2 mil profissões registraram licenças e 546.254 afastamentos em 2025, veja se sua função está na lista

Mapa detalhado das profissões mais afetadas, diagnósticos, custo estimado de quase R$ 4 bilhões, e fatores que explicam o aumento dos afastamentos por transtornos mentais

O Brasil registrou um recorde de afastamentos por saúde mental em 2025, com impacto amplo sobre trabalhadores de variadas ocupações.

Mais de 2 mil profissões aparecem na lista de atividades com pedidos de licença por transtornos mentais, e os números elevam o debate sobre condições de trabalho e políticas públicas.

As informações a seguir são apresentadas com base em dados oficiais, conforme informação divulgada pelo g1.

Quais profissões mais registraram afastamentos por transtornos mentais

A análise detalhada inclui todas as profissões que tiveram licenças entre 2012 e 2024, compiladas pela plataforma SmartLab, iniciativa da OIT em parceria com o MPT, com dados do INSS.

No topo do ranking estão ocupações como vendedor do comércio varejista, faxineiro, auxiliar de escritório, assistente administrativo e alimentador de linha de produção, funções que atendem o público, mantêm serviços essenciais e sustentam a rotina urbana.

A lista inclui afastamentos com e sem acidentes de trabalho, e contabiliza cada licença concedida, não apenas o número de trabalhadores.

Por que ocorrem tantos afastamentos por transtornos mentais

Especialistas apontam que a alta nos afastamentos por transtornos mentais reflete mudanças estruturais na organização do trabalho, com contratos frágeis e menos autonomia para os trabalhadores.

Segundo procuradores e auditores ouvidos na apuração, profissões mais afetadas têm em comum pressão por metas, jornadas longas, rotatividade elevada e maior exposição a riscos, como violência urbana em atividades externas.

Fatores citados incluem relações de trabalho precárias, medo do desemprego, metas por desempenho, sobrecarga de tarefas e falta de reposição de pessoal.

Diagnósticos, números e custo dos afastamentos por transtornos mentais

Em 2025, foram registrados 546.254 afastamentos por questões de saúde mental, um aumento de 15% em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Previdência Social obtidos com exclusividade pelo g1.

Os transtornos ansiosos lideram o ranking, com 166.489 licenças, seguidos pelos episódios depressivos, com 126.608 afastamentos. Outras causas em alta incluem transtorno bipolar, dependência química, estresse grave, esquizofrenia e alcoolismo.

O INSS informou que, em média, as pessoas permaneceram três meses afastadas e receberam em média R$ 2.500, o que levou a um impacto estimado de até quase R$ 4 bilhões em 2025.

As mulheres concentram a maior parte das licenças, representando quase 63% do total. A média salarial das beneficiárias foi de R$ 2.482,91, enquanto a dos homens foi de R$ 2.515,58, segundo o INSS.

Em nível global, a Organização Mundial de Saúde estima que 12 bilhões de dias úteis são perdidos por ano devido à depressão e ansiedade, representando uma perda de US$ 1 trilhão anualmente.

O psiquiatra especialista em trabalho Wagner Gattaz resumiu a urgência do problema, afirmando, “Precisamos de medidas urgentes para frear esses números, que revelam o sofrimento de milhares de pessoas”.

O que está sendo proposto e o impasse sobre a NR-1

O governo chegou a anunciar a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, para incluir riscos psicossociais na fiscalização, o que permitiria autuações por condições como metas excessivas, jornadas extensas, assédio moral e falta de autonomia.

As multas previstas poderiam chegar a R$ 6 mil por empregado, dependendo do tipo e da quantidade de infrações. No entanto, a medida sofreu adiamento, com nova data fixada para maio, e ainda há pressão de setores patronais por novo atraso.

O governo afirmou ao g1 que, “A posição do governo é objetiva: não haverá nova prorrogação”.

Diante do quadro, especialistas e autoridades apontam a necessidade de políticas mais amplas, que incluam prevenção, fiscalização efetiva e cuidados de saúde mental acessíveis, para reduzir o número de afastamentos por transtornos mentais e o impacto econômico e social associado.

Confira a lista completa na plataforma SmartLab, para ver a posição da sua profissão e entender melhor os riscos e as medidas propostas.