Agricultores franceses bloqueiam Paris contra acordo UE-Mercosul, pedem fim de abate por dermatite nodular e intensificam pressão antes da votação
Em Paris, protestos com tratores e bloqueios em pontos simbólicos exigem mudanças no acordo UE-Mercosul, fim do abate por dermatite nodular e prometem ações até a votação
Agricultores franceses bloquearam ruas de Paris, estacionaram tratores em frente a pontos emblemáticos e circularam por avenidas históricas em protesto contra o acordo UE-Mercosul e contra a política de abate por uma forma contagiosa de dermatite nodular.
Os manifestantes exigem garantias para o setor agro e o fim imediato das medidas de abate que afetam bovinos, enquanto alertam para impactos econômicos e sanitários do tratado no campo.
As ações ocorreram em meio a intensa pressão política na França e no restante da União Europeia, conforme informação divulgada pelo g1.
O protesto nas ruas de Paris
Tratores foram estacionados em frente ao Arco do Triunfo e bloquearam várias vias centrais, com manifestantes do sindicato agrícola Coordenação Rural circulando por pontos turísticos e institucionais da cidade.
Além da rejeição ao acordo UE-Mercosul, os atos reivindicam o fim da política de abate por dermatite nodular, uma preocupação imediata para produtores que temem perdas e contágio entre rebanhos.
Posição e declarações do governo francês
A França mantém resistência histórica ao tratado, e a posição final do presidente Emmanuel Macron ainda não foi divulgada oficialmente.
A porta-voz do governo, Maud Brégeon, afirmou à rádio France Info que, “Este tratado ainda não é aceitável”, e ela se recusou a antecipar se Macron votará a favor, contra ou se irá se abster.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, disse que, mesmo que os países da UE apoiem o acordo, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para a entrada em vigor do tratado.
Reação da UE e calendário de votação
Para tentar conquistar apoio do setor agrícola, a União Europeia sinalizou benefícios, como a redução de tarifas de fertilizantes, e negociações de última hora buscaram concessões aos produtores.
O acordo conta com apoio de países como Alemanha e Espanha, e a Itália deu sinais de que poderia apoiar o texto, o que garantiria votos suficientes para aprová-lo com ou sem o apoio francês.
A votação sobre o acordo UE-Mercosul estava prevista para sexta-feira, dia 9, em um momento em que o tema se mostra politicamente sensível na França, diante das eleições municipais e do cenário para 2027.
Consequências e próximos passos
Os protestos aumentam a pressão sobre o governo francês, ao mesmo tempo em que destacam a tensão entre interesses agrícolas nacionais e decisões de política comercial europeia.
Se o Parlamento Europeu aprovar o texto, o tratado avançará, mas a mobilização dos agricultores e o debate público no país podem influenciar posições políticas e propor novos condicionantes ao acordo.