Apagamento civilizacional, debate em Munique: europeus rebatem afirmação dos EUA, Kaja Kallas e Keir Starmer defendem valores, cooperação e futuro do bloco
Debate esquenta após documento de segurança dos EUA afirmar ‘perspectiva real e mais dura de apagamento civilizacional’, europeus rejeitam a visão e pedem cooperação
A discussão voltou a ganhar destaque na Conferência de Segurança de Munique, quando autoridades europeias responderam a críticas do governo dos Estados Unidos sobre o futuro do continente.
Em tom firme, representantes da União Europeia afirmaram que a avaliação americana não reflete a realidade nem deve romper laços transatlânticos.
Os líderes defenderam políticas climáticas, direitos humanos e livre comércio como pilares do crescimento europeu, conforme informação divulgada pelo g1
Reação direta de Kaja Kallas
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, rejeitou a ideia de uma Europa em declínio e contestou a linguagem do documento americano.
Kallas declarou, textualmente, “Contrariamente ao que alguns dizem, essa Europa ‘woke’ e decadente não está enfrentando um apagamento civilizacional”.
Ela completou que “as pessoas ainda querem se juntar ao nosso clube”, e ressaltou que o continente continua a promover avanços para a humanidade, defender direitos humanos e gerar prosperidade, “Por isso, é difícil acreditar nessas acusações”.
O documento americano e a expressão usada
O documento de segurança dos Estados Unidos de dezembro apontou que a Europa enfrenta uma “perspectiva real e mais dura de apagamento civilizacional” e listou fatores como políticas migratórias, queda de natalidade e suposta censura à liberdade de expressão.
Autoridades europeias classificaram a análise como exagerada e afirmaram que divergências políticas não devem significar ruptura na cooperação com Washington.
Tonificação de Washington e resposta de aliados
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, tentou amenizar o tom em Munique, ao afirmar que o fim da era transatlântica “não é objetivo nem desejo” dos Estados Unidos.
Rubio também afirmou, em seu discurso, que “Nossa casa pode estar no hemisfério ocidental, mas sempre seremos filhos da Europa”, ao mesmo tempo em que confirmou posições firmes do governo americano em temas como migração, comércio e clima.
Posição de chefes de governo e o caminho à frente
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reforçou que a Europa deve proteger “as sociedades vibrantes, livres e diversas que representamos” e defendeu que provar que pessoas diferentes podem conviver pacificamente “é justamente o que nos torna fortes”.
Participantes europeus disseram que seguirão defendendo seus valores, incluindo políticas climáticas, liberdade de expressão e livre comércio, e que há espaço para cooperação mesmo diante de diferenças.
O encontro em Munique deixou claro que, embora haja discordâncias sobre políticas e prioridades, tanto a UE quanto os Estados Unidos afirmam interesse em manter laços, dialogar e coordenar respostas em segurança, economia e temas globais.