Apagamento civilizacional? Europeus rebatem EUA, reafirmam cooperação transatlântica e defendem valores do continente após relatório americano

Líderes da UE e do Reino Unido rejeitam a tese de apagamento civilizacional, defendem políticas climáticas, migração e comércio, e pedem manutenção da cooperação com os EUA

A União Europeia e governos europeus responderam neste domingo a críticas do governo dos Estados Unidos que dizem que o continente enfrenta um apagamento civilizacional, rejeitando a avaliação e reafirmando seus valores, políticas e laços com Washington.

Durante a Conferência de Segurança de Munique, autoridades europeias destacaram que divergências sobre migração, comércio e clima não devem romper a cooperação transatlântica, e insistiram que a Europa continua atraente para outros países.

Em declarações diretas, representantes europeus ressaltaram avanços em direitos humanos, prosperidade e defesa de sociedades diversas, e disseram que vão manter suas posições em políticas internas e externas.

conforme informação divulgada pelo g1

Resposta de Kaja Kallas

A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, contestou publicamente a ideia de um continente em declínio. Ela disse, textualmente, “Contrariamente ao que alguns dizem, essa Europa ‘woke’ e decadente não está enfrentando um apagamento civilizacional”.

Kallas afirmou ainda que “as pessoas ainda querem se juntar ao nosso clube”, e relatou ter ouvido, durante visita ao Canadá no ano passado, interesse de muitos cidadãos em aderir ao bloco.

Para a alta representante, as acusações americanas não consideram que a Europa promove “avanços para a humanidade, defende direitos humanos e gera prosperidade”, razão pela qual ela considerou difícil acreditar nas críticas externas.

Tom dos EUA e declaração de Marco Rubio

No evento, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, tentou amenizar o tom usado por outras vozes de Washington, afirmando que o fim da era transatlântica “não é objetivo nem desejo” dos Estados Unidos.

Rubio reforçou, em seu discurso, que “Nossa casa pode estar no hemisfério ocidental, mas sempre seremos filhos da Europa”, e deixou claro que o governo mantém posições firmes em temas como migração, comércio e clima.

Autoridades europeias interpretaram o discurso como um sinal de que, apesar das diferenças, ainda há intenção de cooperação entre os lados do Atlântico.

Reações de outros líderes europeus

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, defendeu a proteção de “as sociedades vibrantes, livres e diversas que representamos”, e disse que a capacidade de conviver pacificamente entre pessoas diferentes é a fonte de força da Europa.

Responsáveis presentes à conferência afirmaram que continuarão a promover políticas climáticas, liberdade de expressão e livre comércio, ao mesmo tempo em que preservam suas prioridades nacionais.

Perspectiva e próximos passos

Especialistas e diplomatas europeus ouvidos no encontro afirmaram que divergências com Washington são esperadas, mas que podem ser geridas por meio do diálogo, cooperação em segurança e manutenção dos canais diplomáticos.

Enquanto a discussão sobre o apagamento civilizacional segue presente no debate público, líderes europeus preferem enfatizar conquistas e parcerias, e trabalhar a partir das diferenças, preservando tanto a autonomia política quanto a aliança transatlântica.