App do Will Bank congela operações e segue mostrando cobrança de cartão e saldos, clientes ficam sem transferências, PIX e pagamentos após liquidação do BC

Usuários relatam que o app do Will Bank exibe saldos, limites e faturas, porém não permite transferências, PIX nem compras no cartão desde a liquidação extrajudicial

O aplicativo segue acessível e mostra valores na tela, mas muitas operações não são concluídas, deixando clientes sem poder usar o próprio dinheiro.

Além da dificuldade de movimentação, há relatos de cobrança de faturas do cartão mesmo com as contas bloqueadas, gerando apreensão entre correntistas.

As informações e relatos foram compilados, conforme informação divulgada pelo g1.

O que os clientes estão enfrentando

Muitos usuários descrevem o sistema como ativo, porém “congelado”, com saldos e limites visíveis, mas sem possibilidade de efetivar pagamentos. A cliente Cassandra Mendes disse, “Hoje de manhã consegui pagar a fatura de dezembro. Agora, a de janeiro segue em aberto”.

No aplicativo, alguns clientes encontram um aviso padrão, “Devido à liquidação determinada pelo Banco Central, as operações estão suspensas. Caso você possua saldo, em breve traremos mais informações sobre como terá acesso aos seus recursos.”

Rayssa Santos relatou frustração ao tentar usar o cartão, “Tem limite, por isso a fatura até está baixa, porque não consigo usar. Tentei fazer compras ontem na Shein, mas não aprovou. Tive que cadastrar outro cartão que eu deixava só para compras online. Cheguei a parcelar, mas não adiantou”. Essas queixas mostram clientes com contas bloqueadas e cobrança de faturas ao mesmo tempo.

Falhas técnicas e números citados pelas autoridades

Usuários já relataram instabilidades desde a noite anterior ao anúncio oficial, e, segundo relatos públicos, “cerca de 500 notificações de erro foram registradas por volta das 20h”, de acordo com registros em plataformas de monitoramento.

Segundo o Banco Central, os problemas do Will Bank com a Mastercard estão ligados à paralisação do processamento dos cartões de crédito, fator decisivo para o agravamento da situação financeira da instituição e para a decisão de decretar a liquidação extrajudicial.

O Banco Central apontou que a instituição acumulava “cerca de R$ 7 bilhões em passivos e mantinha aproximadamente R$ 8 bilhões em transações correntes vinculadas à bandeira Mastercard”, valores que ilustram a escala do impacto operacional e financeiro.

Quando e como os clientes terão acesso ao dinheiro e o que muda com a liquidação

Com a liquidação extrajudicial, a administração dos recursos passa ao liquidante nomeado pelo Banco Central, que vai apurar saldos e organizar pagamentos conforme a legislação. Isso significa que os clientes passam a figura de credores no processo.

Quem tinha dinheiro em conta ou aplicações elegíveis conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos, que cobre até R$ 250 mil por CPF, considerando o conjunto de depósitos e produtos garantidos na instituição, porém o pagamento não é imediato e depende dos trâmites da liquidação.

Até o momento, não há orientação do Banco Central que suspenda essas cobranças. O g1 procurou a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o Fundo Garantidor de Créditos e o Will Bank para comentar as cobranças e os prazos para acesso ao dinheiro, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.