Argentina quer flexibilizar regras para acordos bilaterais Mercosul e abrir negociações com EUA e China, atraindo investimentos em mineração, alumínio, aço e carne

Proposta pretende permitir que países do Mercosul firmem acordos bilaterais fora do bloco, acelerando investimentos e redução de tarifas para setores estratégicos

A Argentina anunciou medidas para reduzir barreiras internas do Mercosul e facilitar acordos com países fora do bloco, com foco em atrair investimentos e ampliar exportações.

O movimento ganhou impulso após um acordo anunciado com os Estados Unidos que prevê redução de tarifas e cooperação em investimentos, inclusive em cadeias de mineração e refino.

As declarações oficiais e detalhes do tratado foram divulgados à imprensa nas últimas dias, gerando debates sobre o futuro dos acordos bilaterais Mercosul e as relações com China e EUA, conforme informação divulgada pelo g1

O que prevê o acordo com os Estados Unidos

Segundo o governo, o tratado entre Argentina e EUA prevê redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos, com atuação em toda a cadeia do setor mineral, desde a exploração até o refino, processamento e exportação.

O texto também inclui materiais críticos, alinhado à estratégia do presidente americano, Donald Trump, de reduzir a dependência da China na produção e no refino desses insumos.

O acordo não entra em vigor imediatamente, ele só passa a valer 60 dias depois da troca de notificações por escrito que confirmem a conclusão dos trâmites legais internos, ou em outra data que os países definirem.

Após entrar em vigor, a Argentina deverá zerar ou reduzir para cerca de 2% as tarifas aplicadas a milhares de produtos dos EUA, além de abrir cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos.

Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para determinados produtos agrícolas argentinos e limitarão eventuais sobretaxas a um teto de 10% sobre os demais bens.

O papel de autoridades e declarações-chave

Sobre a flexibilização das regras do bloco, o ministro questionado afirmou, de forma direta, “Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul”, disse Quirno a jornalistas.

Quirno também ressaltou que a negociação com os EUA não impede que a China participe de investimentos no setor de mineração da Argentina, e que o presidente Donald Trump e o presidente Javier Milei continuarão a avaliar a possibilidade de reduzir as tarifas sobre o alumínio e o aço argentinos.

Segundo o embaixador americano e negociador comercial Jamieson Greer, há expectativa de ampliar negócios que vão de veículos automotores a produtos agrícolas, o que aponta para efeitos amplos sobre exportações e cadeias produtivas.

Impacto para o Mercosul e próximos passos

A intenção de flexibilizar regras levanta questões sobre a dinâmica interna do Mercosul, já que acordos bilaterais Mercosul negociados por um membro podem influenciar competitividade e políticas comerciais regionais.

Especialistas e integrantes do bloco deverão avaliar como conciliar maior liberdade para acordos externos com compromissos de integração interna, mantendo a coesão do mercado comum.

Os próximos passos envolvem a troca formal de notificações e a conclusão dos trâmites legais internos em cada país, antes que as medidas tenham efeito prático, e acompanhamentos sobre investimentos em setores estratégicos.

As movimentações recentes sinalizam que a Argentina busca uma postura mais aberta a acordos bilaterais, com foco na atração de investimentos e na redução de tarifas, enquanto negociações seguem em paralelo com parceiros como EUA e China.