Banco do Brasil registra calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa, inadimplência sobe para 5,17% e analistas apontam Braskem como responsável
Revelação do calote de R$ 3,6 bilhões aumenta pressão sobre resultados do Banco do Brasil, eleva inadimplência e reabre dúvidas sobre risco na carteira do atacado
O Banco do Brasil reportou que uma empresa do segmento atacado deixou de pagar R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2025, impacto que elevou indicadores de risco e chamou atenção do mercado.
A medida fez com que o índice de inadimplência acima de 90 dias subisse, afetando leituras de saúde da carteira de crédito do banco e as expectativas para 2026.
As informações sobre o calote e os efeitos nos números do banco constam no balanço divulgado pela instituição, conforme informação divulgada pelo g1.
O anúncio do banco e números-chave
O Banco do Brasil informou na quarta-feira (11), na divulgação de seu balanço financeiro, que uma empresa do segmento atacado deu um calote de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2025, sem revelar o nome da companhia.
Em consequência, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17%, contra 4,51% no terceiro trimestre e 3,16% um ano antes. Ao desconsiderar esse efeito, o índice seria de 4,88%, informou.
O banco reforçou no documento que o avanço da inadimplência reflete um caso específico na carteira de Títulos e Valores Mobiliários, ligado a uma empresa do atacado.
Quem seria a empresa envolvida
Analistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico afirmam que se trata da Braskem. Segundo a publicação, o banco tinha exposição no mesmo valor junto à petroquímica, grande produtora de resinas plásticas.
O g1 pediu um posicionamento à Braskem, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Impacto nos resultados e projeções
Em 2025, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, dentro da faixa projetada pelo próprio banco, entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões, informou a instituição. O resultado representa queda de 45,4% em relação a 2024.
No quarto trimestre de 2025, o BB registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, queda de 40,1% em relação ao mesmo período de 2024, mas avanço de 51,7% ante o terceiro trimestre, superando previsões do mercado.
Para 2026, o BB também divulgou suas projeções para 2026, prevendo lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, com estimativa de expansão moderada da carteira de crédito e foco em mitigação de riscos, segundo a administração.
Contexto da carteira de crédito e sinais do mercado
No final de dezembro, a carteira de crédito expandida do BB somava quase R$ 1,3 trilhão, alta de 1,4% no trimestre e de 2,5% na comparação anual.
Na pessoa física, a inadimplência chegou a 6,56%, ante 6,01% no trimestre anterior e 4,66% um ano antes. Entre pessoas jurídicas, a inadimplência foi a 3,75%, de 3,40% três meses antes e 3,30% no quarto trimestre de 2024.
A carteira de crédito para o agronegócio, que vinha pressionando resultados, encerrou o quarto trimestre com inadimplência acima de 90 dias em 6,09%, ante 4,84% no trimestre anterior e 2,23% um ano antes.
Investidores reagiram de forma contida, e as ações do banco subiram após o balanço, refletindo visão de que o impacto é pontual, embora reforce a necessidade de vigilância sobre grandes exposições no segmento atacado.