Narges Mohammadi condenada a mais 7 anos de prisão pelo Irã, Nobel 2023 inicia greve de fome, sentença inclui proibição de viagem e repressão registra 6.159 mortos
Advogado diz que a punição somada foi de 7 anos e meio, com 2 anos de proibição de viagem, enquanto fundação relata que a ativista começou greve de fome em protesto contra sua detenção
Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel em 2023, foi alvo de uma nova sentença no Irã, segundo informação do advogado da defesa.
A ativista, que se tornou símbolo da luta contra a opressão às mulheres no país, está detida desde dezembro e, segundo a sua fundação, iniciou uma greve de fome em protesto pelas condições de detenção.
As informações reunidas sobre a condenação e sobre a greve de fome foram divulgadas por veículos internacionais e por organizações ligadas à ativista, conforme informação divulgada pelo g1.
Detalhes da sentença
De acordo com o advogado dela, “Ela foi condenada a 6 anos de prisão por ‘conspiração e conluio’, e a 1 ano e meio por propaganda [contra o governo iraniano]. E recebeu uma proibição de viajar por 2 anos”.
Procurado pela agência de notícias Associated Press, o governo iraniano não confirmou a sentença.
Greve de fome e condições de detenção
Há quatro dias, na quarta-feira (4), a fundação da ativista iraniana, que tem sede em Paris, afirmou ter recebido informações confiáveis de que ela havia iniciado uma greve de fome na segunda-feira, dia 2, “em protesto contra sua detenção ilegal e as condições graves em que está sendo mantida, realidades enfrentadas por inúmeros presos políticos atualmente detidos no Irã”.
Narges Mohammadi, de 54 anos, já foi presa diversas vezes pelo regime iraniano e havia sido libertada da prisão em caráter temporário em dezembro de 2024 por questões de saúde. Quando foi presa em dezembro, ela estava em uma cerimônia em homenagem a Khosrow Alikordi, um advogado e defensor dos direitos humanos que residia em Mashhad.
Contexto dos protestos e repressão
A prisão e a nova condenação ocorrem em um momento de forte contestação interna ao governo, com protestos que reúnem jovens, estudantes e comerciantes desde o final de dezembro.
Segundo um último balanço divulgado por ativistas, no dia 27 de janeiro, a repressão sangrenta matou ao menos 6.159 pessoas.
As manifestações se intensificaram a partir de greves de comerciantes e se espalharam por diversas cidades, com exigências que vão além de demandas econômicas, incluindo pedidos pela queda do governo do aiatolá Ali Khamenei.
Repercussão e o papel internacional
Como ganhadora do Nobel de 2023, Narges Mohammadi tem recebido atenção internacional e pedidos de autoridades e grupos de direitos humanos pela sua libertação e por investigações sobre as condições de detenção.
Organizações e observadores mantêm acompanhamento da situação e cobram transparência das autoridades iranianas sobre a sentença e o estado de saúde da ativista, enquanto familiares e apoiadores seguem reivindicando medidas para garantir sua integridade.