Banco Pleno entra em liquidação extrajudicial, 160 mil credores e R$ 4,9 bilhões expostos, trajetória marcada por rebatismo, venda e reestruturações
Liquidação decretada pelo Banco Central, história do Indusval a Voiter e Pleno, dependência de CDBs, exigências regulatórias e controle por ex-sócio de Vorcaro
A interrupção das operações do Banco Pleno revela uma sequência de tentativas de reposicionamento que não conseguiram estabilizar a instituição, apesar das reorganizações societárias e mudanças de controle.
Nas últimas fases, a instituição manteve forte dependência de captação por meio de depósitos a prazo, especialmente CDBs, como fonte principal de financiamento, fator que aumentou a vulnerabilidade a choques de liquidez.
A decisão do regulador encerra formalmente uma trajetória que passou por rebatismo, buscas por comprador e exigências específicas do Banco Central para mitigar riscos, com impacto direto em clientes e credores.
conforme informação divulgada pelo g1
Da origem ao rebatismo e à busca por compradores
A história da instituição remonta ao Banco Indusval & Partners Corretora, fundado em 1967, que atuava no crédito corporativo e no financiamento ao agronegócio. Em 2019, o grupo adotou o nome Banco Voiter, em uma estratégia de enxugamento e aposta em soluções digitais, sem conseguir estabilizar os resultados.
Com as dificuldades, os controladores passaram a buscar potenciais compradores. Em 2023 houve tentativa de venda para a Capital Consig, que não avançou, e no início de 2024 o banco foi incorporado ao conglomerado do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Transferência de controle e criação do Banco Pleno
Pouco depois, em julho de 2025, o Banco Central autorizou a transferência do controle para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, dando origem ao Banco Pleno. A aprovação veio acompanhada de exigências, incluindo a apresentação de um plano para enfrentar eventuais problemas de liquidez.
Mesmo com as exigências regulatórias, a instituição manteve concentração de captação em depósitos a prazo, o que manteve o perfil de risco elevado e a dependência de confiança dos investidores de curto prazo.
Credores, números e consequências
O quadro final traz impactos divulgados pela imprensa sobre o universo de credores, e a dimensão dos valores em disputa. Banco Pleno tem 160 mil credores com R$ 4,9 bilhões a receber em garantias, informação que mostra a amplitude do passivo a ser tratado na liquidação.
A liquidação extrajudicial do Banco Pleno, decretada pelo Banco Central nesta quarta-feira (18), passa a ordenar o atendimento aos credores e a avaliar ativos e garantias, com a autoridade monetária assumindo o papel de liquidante para encerrar as operações.
Pontos de risco e lições para o mercado
A trajetória da instituição evidencia riscos que afetam bancos de menor porte, como dependência de captações concentradas, fragilidade operacional e dificuldade de executar mudanças estratégicas rapidamente.
Para o mercado, a liquidação reforça a necessidade de monitoramento regulatório e transparência em processos de venda e reestruturação, e ressalta o papel do Banco Central em intervir quando há risco sistêmico ou falhas operacionais que comprometam a continuidade dos serviços financeiros.