Brasil cria 1.279.498 empregos formais em 2025, pior saldo desde 2020, Selic a 15% pressiona geração de vagas e serviços lideram recuo do ritmo

Resultado anual do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados mostra menor expansão de empregos formais desde 2020, com alta da Selic e pressões externas sobre setores específicos

O Brasil teve criação líquida de empregos com carteira assinada em 2025, mas o ritmo foi o mais fraco desde a crise da Covid-19.

O cenário ficou marcado pela elevação dos juros, pela menor liquidez para empresas e por choques externos que afetaram encomendas para os EUA.

Os dados foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme informação divulgada pelo g1.

Volume anual e comparação com anos anteriores

Os números oficiais do Caged mostram que, em 2025, foram criados 1.279.498 postos de trabalho formais no país.

Veja os postos de trabalho formais criados por ano:

2025: 1.279.498, 2024: 1.677.575, 2023: 1.455.279, 2022: 2.014.894, 2021: 2.782.295, 2020: – 189.393.

Ao todo, segundo o governo federal, foram registradas no ano passado: 19,9 milhões de admissões e 18,6 milhões de desligamentos.

Setores, distribuição e pontos de destaque

Os cinco setores da economia registraram saldo positivo, mas com intensidade diversa. O ramo de serviços concentrou a maior parte das vagas, e agropecuária e construção civil tiveram as menores altas.

Os saldos por setor foram, conforme os dados do Caged, Serviços: 758,3 mil, Comércio: 247,1 mil, Indústria: 144,3 mil, Construção: 87,9 mil, Agropecuária: 41,9 mil.

Impacto da Selic e declarações do ministro Luiz Marinho

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, atribuiu o resultado fraco ao custo do crédito provocado pelos juros elevados, com a taxa Selic tendo chegado a 15% ao ano em 2025.

Sobre o tema, Marinho afirmou, “Procurei dialogar com o Banco Central mostrando que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo, não de desaceleração da economia. Não se trata de queda da economia, mas do ritmo de crescimento. Mas um processo de diminuição da velocidade. E isso acabou acontecendo”.

O ministro também ponderou sobre a ação dos Estados Unidos, “O tarifaço impactou, claro que sim, mas acho que o impacto dos juros foi maior do que do tarifaço. E o impacto do tarifaço foi amenizado pela política do governo, tomou ações importantes ao longo do tempo”.

Em sequência, ele disse, “O presidente Lula abriu novos mercados e isso deu uma amenizada muito grande na história do tarifaço. E ele impactou segmentos pontuais. Olhando para a economia como um todo ele praticamente não foi sentido”, prosseguiu o ministro.

Setores mais atingidos, dezembro e sinais para 2026

Técnicos do ministério apontaram que segmentos como madeira, móveis e sapatos, cujas encomendas eram para os EUA, foram atingidos pelas medidas do governo norte-americano, enquanto a indústria sofreu mais com falta de liquidez devido ao custo do crédito.

Historicamente, dezembro registra fechamento de vagas, e em dezembro de 2025 foram 618,2 mil vagas encerradas, um aumento em relação a dezembro de 2024, quando 555,4 mil empregos com carteira assinada foram encerrados.

O resultado sugere que a geração de empregos formais em 2026 dependerá da evolução da taxa de juros, das linhas de crédito para empresas e do desempenho das exportações em mercados chave.