Brasilização da economia global, alerta The Economist: por que países ricos devem temer juros altos, dívida crescente e pressões fiscais ao estilo do Brasil
The Economist usa o Brasil como alerta antecipado, apontando que juros elevados, dívida e rigidez de gastos podem levar economias avançadas a uma ‘brasilização’ fiscal
A revista britânica The Economist publicou um editorial que coloca o Brasil como um sinal de aviso para países ricos, com foco no risco de uma “brasilização” da economia global.
O argumento central é que, mesmo com indicadores aparentemente positivos, taxas de juros muito altas tornam a dívida pública cada vez mais difícil de manejar, abrindo espaço para crises fiscais graves.
Nas próximas linhas explicamos por que a publicação vê o Brasil como exemplo e quais são os riscos que, segundo ela, podem se replicar em economias avançadas, incluindo os Estados Unidos, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o Brasil virou exemplo, segundo a The Economist
A revista diz que o país combina elementos que, à primeira vista, parecem bons, como crescimento econômico, banco central independente e um orçamento primário quase equilibrado, com uma dinâmica de endividamento que considera explosiva.
Em razão da Selic em 15% ao ano, a publicação afirma que o governo brasileiro, “provavelmente tomará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros”, mesmo com as contas primárias próximas do equilíbrio.
A reportagem também cita números do Fundo Monetário Internacional, dizendo que a “dívida pública bruta do Brasil vai atingir 99% do PIB em 2030. Em 2010, correspondia a 62%”.
Quais são os motores da vulnerabilidade fiscal
A The Economist aponta fatores institucionais e históricos para explicar por que o Brasil paga taxas de juros tão superiores às de economias ricas. Entre eles, diz que as instituições brasileiras seriam “frágeis” e chegaram a “vacilar” durante a tentativa de golpe de 2022.
Outra razão apontada é a memória da hiperinflação, que dá à inflação um “pavio mais curto” e aumenta a sensibilidade do mercado a choques. Além disso, a rigidez do gasto público é destacada como um fator-chave.
O texto lembra que “o Brasil destina cerca de 10% do PIB ao pagamento de aposentadorias” e que, sem reformas, o país poderá gastar mais com pensões em 2050 do que países mais ricos e mais envelhecidos, o que pressiona ainda mais as contas.
Riscos para o mundo rico e exemplos citados
Para a The Economist, o Brasil funciona como um “alerta antecipado” do que pode acontecer com economias avançadas, porque muitos países ricos enfrentam o mesmo aumento de despesas com previdência e saúde.
A revista afirma ainda que os Estados Unidos já exibem sintomas iniciais do processo de “brasilização”, com instituições sob pressão e uma inflação mais difícil de controlar após a pandemia.
O editorial cita ações do presidente americano, dizendo que ele “politizou o Departamento de Justiça”, deseja controlar o Federal Reserve e “cogita federalizar as eleições”, sinais, segundo a publicação, de erosão institucional que pode tornar a política econômica mais volátil.
O dilema político e a urgência das reformas
A publicação alerta que o Brasil pode enfrentar uma escolha agonizante, “entre uma austeridade profunda e uma espiral aterradora de juros e dívida”. A saída pela austeridade, diz o texto, parece politicamente inviável no curto prazo.
A The Economist critica ainda o sistema tributário, classificado como uma “bagunça”, e afirma que a falta de reformas mina a credibilidade fiscal e reduz o crescimento, citando estimativas que atribuem até um ponto percentual de crescimento perdido por ano ao problema.
O editorial reconhece avanços recentes, como o teto para isenções e um IVA dual, que pode elevar o PIB até 4,5% até 2033, mas avalia que, sem mudanças estruturais, o país continuará preso a um modelo fiscal insustentável.
Em síntese, a revista usa o termo brasilização para alertar que juros altos, dívida crescente e rigidez de gastos podem transformar um quadro aparentemente sólido em uma crise fiscal, risco que, segundo ela, os países ricos não deveriam subestimar.