BRB entrega Plano de Capital ao Banco Central após crise com Banco Master, plano preventivo apresenta medidas em 180 dias e BC estima aporte mínimo de R$ 5 bilhões
Plano de Capital do BRB detalha ações preventivas para recomposição de capital em até 180 dias, com alternativas como fundo imobiliário, empréstimo ao FGC e aporte do governo do DF
O Banco de Brasília, BRB, entregou ao Banco Central um Plano de Capital concebido como medida preventiva para reforçar o patrimônio, caso seja comprovada necessidade de aporte.
A entrega foi feita pelo presidente Nelson Antônio de Souza, em reunião de duas horas na sede do Banco Central em Brasília, com participação do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias.
O documento e os fatos que motivaram o plano foram detalhados à autoridade reguladora, conforme informação divulgada pelo g1.
O que diz o plano e as opções estudadas
O BRB afirma, no texto entregue ao regulador, que “O documento entregue pelo BRB ao órgão regulador apresenta um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro.”
O banco também destacou que “O BRB destaca que eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento”. Entre as alternativas já mencionadas publicamente pelo BRB estão a criação de um fundo de investimento imobiliário com imóveis do governo do DF, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos, e aporte direto dos controladores.
O Banco Central, no entanto, estima que o aporte será de pelo menos R$ 5 bilhões, considerando a situação atual do banco.
Por que o plano foi montado, ligação com o caso Master
A necessidade do plano decorre de compras de carteiras de crédito feitas pelo BRB junto ao Banco Master desde o fim de 2024, operações que enfraqueceram o balanço patrimonial da instituição.
Segundo investigações e reportagens, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, e “segundo as investigações, cerca de R$ 12 bilhões foram para carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras”. O Master foi liquidado em novembro, após o Banco Central identificar crise de liquidez.
Essas inconsistências acabaram por tornar o perfil de ativos do BRB mais arriscado, o que motivou a apresentação do Plano de Capital como instrumento para preservar a solidez e a confiança do mercado.
Impacto político e próximos passos
O governo do Distrito Federal é acionista controlador do BRB, e detém cerca de 72% do capital do banco, participação que coloca o Executivo distrital no centro de qualquer solução que envolva aporte direto.
Medidas que afetem o caixa do governo do DF devem, além disso, receber aval político da Câmara Legislativa do DF, onde o governador Ibaneis Rocha tem maioria. O governador já abriu a possibilidade de usar patrimônio público do DF para compor operações, por exemplo, com a constituição de um fundo imobiliário.
O BRB diz que o plano foi elaborado para “garantir a sustentabilidade da instituição, o plano fortalece o capital institucional e assegura a estabilidade das operações. O Banco reafirma seu compromisso com a transparência, com a proteção de clientes, investidores e parceiros, e com a adoção de todas as medidas necessárias para preservar a integridade e a continuidade de suas atividades.”
O que vem a seguir
O BRB e o Banco Central mantêm os detalhes do Plano de Capital sob sigilo por enquanto, e os valores finais só serão confirmados após o desfecho das investigações em curso.
Técnicos consultados indicam que não há risco imediato de liquidação do banco, em grande parte porque o acionista controlador tem capacidade para socorrer a instituição, mas o reforço de capital é necessário para que o BRB mantenha o cumprimento das regras de solidez do sistema financeiro.