BRB entrega plano de capital preventivo ao Banco Central após crise com Master, BC estima aporte mínimo de R$ 5 bilhões e investigação segue em curso

Plano do BRB define medidas para recomposição de capital em 180 dias, com opções como FII, empréstimo ao FGC ou aporte direto do controlador, e o Banco Central considera necessário pelo menos R$ 5 bilhões

O BRB entregou ao Banco Central, na sexta-feira, um Plano de Capital com ações preventivas para reforçar o patrimônio da instituição, caso seja confirmada a necessidade de aporte.

A reunião presencial durou cerca de duas horas e teve a presença do presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, e do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, segundo comunicado oficial.

O documento foi divulgado após a descoberta de inconsistências em operações com o Banco Master, conforme informação divulgada pelo g1.

O conteúdo do plano e as justificativas

Segundo comunicado do próprio BRB, o texto entregue ao regulador descreve “um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro”.

O banco afirma que “eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento”, e que o plano foi elaborado para “garantir a sustentabilidade da instituição” e “assegurar a estabilidade das operações”.

Quanto pode ser necessário, e quem paga

O Banco Central, contudo, estima que o aporte necessário será de pelo menos R$ 5 bilhões, considerando a situação atual do BRB.

O acionista controlador do banco é o governo do Distrito Federal, que detém 71,92% do capital, e, em vários trechos do processo, a participação do Executivo distrital pode ser acionada para recompor o patrimônio.

Entre as alternativas estudadas pelo BRB estão a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário com imóveis do governo do Distrito Federal, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos, e o aporte direto dos controladores.

O que ocorreu com o Banco Master

O plano surge depois de operações que enfraqueceram o balanço do BRB, vinculadas à compra de carteiras do Banco Master. Em 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Master, de acordo com apurações citadas pelo g1.

Relatos e documentos apontam que cerca de R$ 12 bilhões foram direcionados a carteiras de crédito consideradas problemáticas, sem garantias adequadas. Há ainda menção de compras em que o Master teria adquirido R$ 6,7 milhões em créditos e os revendido ao BRB por R$ 12,2 bilhões, o que gerou suspeitas sobre a origem e o valor real desses ativos.

Investigação e impacto político

A Polícia Federal abriu um novo inquérito que foca na atuação de gestores do BRB, enquanto o Ministério Público avalia indícios de gestão fraudulenta nas transferências entre as instituições.

Técnicos consultados pelo g1 afirmaram que não há risco imediato de liquidação do BRB, também porque o controlador tem capacidade para socorrer o banco, mas reforçam que o fortalecimento do capital é necessário para manter a confiança do mercado e cumprir as regras de solidez do sistema bancário.

Medidas que impliquem desembolso do governo do DF terão também dimensão política, porque podem exigir aval da Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde o governador possui maioria, e o governo já sinalizou disposição de usar patrimônio público, como a constituição de um fundo imobiliário, para compor eventuais aportes.

O desfecho das investigações e as decisões do Banco Central e do controlador definirão o tamanho e a forma do reforço do capital nos próximos meses.