BRB: Marcelo Talarico e Luis Resende renunciam ao conselho em meio a assembleia convocada pelo governo do DF e investigações sobre operações com o Banco Master
Renúncias ocorrem após governo do DF convocar assembleia para renovar o conselho do BRB, em meio a apurações sobre transferências ao Banco Master e estimativa de perdas bilionárias
Marcelo Talarico e Luis Fernando de Lara Resende deixaram suas funções com efeito imediato, segundo informou a própria instituição em comunicado ao mercado.
Além dos assentos no conselho, os dois também saíram dos comitês internos do banco, conforme previsto nas regras da empresa e na legislação vigente.
A movimentação acontece depois de o principal acionista, o governo do Distrito Federal, convocar uma assembleia para escolher um novo conselho de administração, marcada para o dia 19 de fevereiro, conforme informação divulgada pelo g1.
Saída imediata e validade do comunicado
A instituição informou ao mercado que as renúncias de Marcelo Talarico e Luis Fernando de Lara Resende têm efeito imediato, e que, além de deixarem os assentos no conselho, também se afastaram dos comitês internos do banco, seguindo regras internas e exigências legais.
Fontes internas indicam que a decisão foi tomada em um contexto de pressão política e institucional, após a convocação da assembleia de acionistas que renovará o colegiado.
Quem pode assumir e quando será decidido
A reunião está marcada para o dia 19 de fevereiro, nessa data, os acionistas vão votar os nomes indicados para integrar o novo colegiado: Edison Garcia, Joaquim de Oliveira e Sérgio Nazaré.
Em janeiro, o BRB já havia feito alterações importantes em sua estrutura de comando, Raphael Vianna de Menezes foi eleito presidente do conselho de administração, enquanto Antônio José Barreto de Araújo Júnior assumiu o cargo de diretor executivo de finanças.
Investigação, operação policial e possíveis perdas
As trocas na administração ocorrem em meio à repercussão de uma investigação da Polícia Federal realizada em novembro do ano passado, a operação envolveu dirigentes do Banco Master e do próprio BRB.
Segundo as autoridades, o suposto esquema poderia ter causado prejuízos superiores a R$ 10 bilhões ao banco público. O Banco Central estima que o prejuízo para o BRB possa ultrapassar R$ 3 bilhões, enquanto investigadores apontam que as perdas potenciais podem ser ainda maiores.
Em novembro, a Polícia Federal deflagrou a operação que apura fraudes financeiras envolvendo dirigentes do Master e do BRB, com o então presidente do BRB sendo afastado e posteriormente demitido.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso preventivamente e passou a usar tornozeleira eletrônica, ele afirmou ter tratado da venda do banco diretamente com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que nega a versão.
Impacto para clientes, decisões regulatórias e próximos passos
Em resposta às apreensões sobre a solidez das operações, o Banco Central determinou medidas para proteger a instituição, e as autoridades continuam as apurações, enquanto o caso ainda está sob apuração.
A convocação da assembleia e as renúncias no conselho marcam uma nova etapa do processo de reestruturação do BRB, com atenção dos reguladores, investidores e clientes para as resoluções que serão adotadas nas próximas semanas.
Enquanto as investigações seguem, a expectativa é de que a definição do novo colegiado e as medidas adotadas pelo banco e pelos órgãos reguladores condicionem a rápida restauração de governança e confiança no BRB.