BRB registrou dívidas quitadas ou inexistentes no BC, clientes do Master e Will Bank relatam cobranças indevidas, impacto no score e investigação em curso
Entenda por que clientes dizem que o BRB lançava débitos já pagos ou inexistentes no SCR do Banco Central, a explicação do banco, dados de reclamações e como buscar solução
Clientes que contrataram empréstimos ou serviços no Will Bank e no Banco Master passaram a identificar registros de dívidas como ativos ou em atraso no Sistema de Informações de Créditos, o SCR do Banco Central.
Em relatos, esses débitos aparecem em nome do Banco de Brasília, o BRB, mesmo para pessoas que nunca tiveram conta no banco, e incluem casos de contratos já quitados e de cobranças que, segundo consumidores, nunca existiram.
As informações e depoimentos constam em matéria publicada pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.
O que o BRB diz e a nota oficial
Em nota, o BRB afirmou que, “após a liquidação do Will Bank, deixou de receber do liquidante as informações necessárias sobre o repasse e a quitação das operações de crédito cedidas”.
O banco acrescentou que, pelas regras, a instituição que originou os créditos deve acompanhar os pagamentos e enviar ao BRB os dados e valores correspondentes, e que, “após a liquidação, esse fluxo não foi retomado ainda pelo liquidante, de modo que o BRB ainda não dispõe de informações suficientes para a baixa das operações“.
O BRB também informou que realizou conciliações internas, encaminhou comunicados ao liquidante e que está preparado para corrigir os dados assim que houver retorno do administrador do banco em liquidação, conforme informação divulgada pelo g1.
Responsabilidade e o que dizem especialistas
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a transferência de carteiras é prática comum no mercado, mas que exige cuidados e notificações aos consumidores.
Segundo Fabio Braga, sócio da área bancária e financeira do Demarest, “Para isso, os bancos discutem a estrutura desses contratos e os custos envolvidos. Por quanto vou vender e qual será o desconto? Outro ponto importante é que, na negociação, também se define quem ficará responsável pela gestão dos pagamentos”, disse ele ao g1.
O professor Pedro Ramunno, do Mackenzie, explica que, “A ideia é que o consumidor saiba a quem deve pagar. Sem essa notificação, a cessão não produz todos os seus efeitos”, o que reforça a necessidade de comunicação formal ao cliente.
Advogados apontam que, mesmo que o BRB alegue falta de dados do liquidante, “O BRB não pode alegar que um terceiro seja responsável pelo registro de dívidas indevidas. O banco precisa fornecer informações corretas ao consumidor e não pode registrar uma situação de crédito equivocada”, disse Gustavo Kloh, da FGV, e “Ele pode não ter culpa pelo problema, mas é responsável por apresentar uma solução”, completou Kloh, conforme informação divulgada pelo g1.
Impacto aos consumidores e números de reclamação
O problema tem causado prejuízos, entre eles a negativa de financiamentos devido a pendências registradas no SCR. Um consumidor relatou parcelas indevidas de R$ 10 mil que continuavam sendo cobradas, mesmo após acordo com o banco de origem.
O site Reclame Aqui registrou crescimento nas queixas, “ao menos uma centena de relatos semelhantes apenas em janeiro deste ano, enquanto outras 324 reclamações foram feitas entre agosto e dezembro de 2025. No mesmo período de 2024, houve 76 registros sobre o tema, um aumento de 326%”, conforme dados citados pelo g1.
Especialistas orientam que o consumidor peça por escrito o contrato, o valor atualizado, quem está cobrando e qual banco originou a dívida. Como disse Ramunno, “Se não há contrato, trata-se de uma cobrança indevida. Nesses casos, o consumidor deve formalizar a reclamação junto à instituição, gerar um protocolo e exigir a interrupção da cobrança”, conforme informação divulgada pelo g1.
Contexto das cessões de carteiras e investigações em andamento
O caso está ligado a operações entre BRB, Banco Master e Will Bank. O BRB vinha comprando carteiras do Master desde 2024 e chegou a anunciar, em março de 2025, um acordo para comprar o banco em uma operação estimada em R$ 2 bilhões, transação que foi vetada pelo Banco Central em setembro, conforme informação divulgada pelo g1.
Após a liquidação extrajudicial do Master, uma investigação da Polícia Federal apura um suposto esquema de fraudes bilionárias, em que o BRB teria adquirido R$ 12 bilhões em carteiras de crédito de baixa qualidade, sem garantia financeira. Como compensação por carteiras problemáticas, o Master transferiu novas carteiras ao BRB, e parte desses ativos teria origem no Will Bank, situação que teria gerado os registros contestados, conforme informação divulgada pelo g1.
O g1 também registrou que o Banco Central determinou que o BRB reserve R$ 3 bilhões para manter operações em segurança, e que o banco afirma estar atuando junto ao liquidante para normalizar os dados no menor prazo possível, conforme informação divulgada pelo g1.
Consumidores afetados devem documentar comunicações, registrar reclamações em órgãos como Procon e Consumidor.gov, e, se necessário, recorrer ao Judiciário para correção e reparação, conforme orientação de especialistas citados pelo g1.