Busca em Sinaloa por mineradores sequestrados encontra valas e corpos perto da mina da Vizsla Silver, investigação aponta possível identificação de vítima

Mobilização de mais de mil agentes em Pánuco busca por mineradores sequestrados, caso envolve Cartel de Sinaloa, valas comuns, acampamentos e ao menos um corpo

Uma operação de grande escala no noroeste do México encontrou indícios perturbadores nas buscas pelos mineradores sequestrados que trabalhavam em uma mina da empresa canadense Vizsla Silver.

Equipes formadas por mais de mil agentes localizaram valas comuns, acampamentos ligados ao crime organizado e ao menos um corpo com semelhanças a uma das vítimas, ainda em processo de identificação.

As informações oficiais foram divulgadas pelas autoridades mexicanas, e a cobertura do caso foi reportada à imprensa nacional, conforme informação divulgada pelo g1.

O que as buscas revelaram

As autoridades informaram que, durante a operação na região de Pánuco, no estado de Sinaloa, foram encontrados dez acampamentos associados a organizações criminosas e duas valas comuns no povoado de El Verde.

Em uma das exumações, um corpo apresenta “características semelhantes” às de um trabalhador sequestrado em 23 de janeiro, segundo a Procuradoria-Geral mexicana, o que motivou a coleta de material para identificação forense.

Testemunhas relataram cenas de forte impacto, com veículos saindo do local transportando restos mortais, e, conforme relato de integrantes de um coletivo de busca, “Os veículos saíram com corpos em decomposição, com um cheiro muito forte”.

Contexto e forças envolvidas

O sequestro ocorreu em uma mina de ouro e prata operada pela canadense Vizsla Silver, no projeto localizado em Concordia, uma região marcada pela presença de minerais valiosos como prata, ouro, chumbo e zinco.

Autoridades mexicanas responsabilizam facções do Cartel de Sinaloa pela ação, com disputa entre células conhecidas como Los Mayos e Los Chapitos, sendo Los Chapitos apontados como dominantes na área da mina.

Pesquisadores locais alertam que a violência interna do cartel, intensificada desde 2024, transformou a região em palco de confrontos entre facções e ampliou os ataques a trabalhadores formais, não apenas a garimpeiros artesanais.

Impacto na comunidade e relatos

Familiares e moradores descreveram um clima de medo que levou ao abandono parcial de Pánuco, com cerca de 200 residentes deixando a localidade por receio de novas ações criminosas.

Roque Vargas, morador de Chirimoyos, afirmou, “Tememos que o governo nos pressione para revelar o paradeiro dos mineradores, Não temos nenhuma relação com facções criminosas”, expressando a apreensão da população diante das investigações.

O caso é considerado inédito pela magnitude do sequestro, envolvendo dez trabalhadores de uma mineradora transnacional, e pela mobilização considerada a maior já feita em Sinaloa para localizar pessoas desaparecidas.

Próximos passos das autoridades

As investigações seguem com perícias forenses para identificação dos corpos e buscas em áreas próximas à mina. A operação persiste com apoio de diversas forças de segurança, enquanto familiares aguardam respostas sobre o destino dos trabalhadores.

Especialistas lembram que a mudança de alvo para empregados de uma grande mineradora aumenta a pressão política e operacional sobre as autoridades mexicanas, e destaca o risco para investimentos e para a segurança das comunidades locais.