Caderneta de poupança tem saída de R$ 85,6 bilhões em 2025, saldo cai para R$ 1,02 trilhão, e Tesouro Selic e CDBs ganham espaço

Saques superaram depósitos em R$ 85,6 bilhões no ano, com depósitos de R$ 4,27 trilhões e retiradas de R$ 4,36 trilhões, pressionando crédito imobiliário e atraindo alternativas

A caderneta de poupança registrou saída líquida de recursos em 2025, em um movimento que se acelerou com juros altos e maior busca por aplicações mais rentáveis.

O volume total aplicado caiu levemente, enquanto outras opções de renda fixa e a bolsa de valores se mostraram mais atrativas para investidores buscando rendimento.

Os dados e as análises a seguir foram compilados a partir das informações divulgadas, e refletem os efeitos no crédito e nas decisões de investimento no Brasil, conforme informação divulgada pelo g1.

Saída recorde e números do ano

Segundo o levantamento, os depósitos somaram R$ 4,27 trilhões em 2025, e as retiradas totalizaram R$ 4,36 trilhões, resultando em saída líquida de R$ 85,6 bilhões no ano.

Com isso, o estoque de recursos na poupança caiu para R$ 1,02 trilhão ao fim de 2025, contra R$ 1,03 trilhão em dezembro de 2024, e a série histórica de saídas já completa cinco anos consecutivos.

Impacto direto no crédito imobiliário

As retiradas afetam o crédito para habitação porque, pela regra vigente, 65% dos recursos captados pela poupança devem ser direcionados ao financiamento da casa própria.

Com menor volume disponível e demanda por crédito elevada, o governo anunciou, em outubro, mudanças nas regras, visando liberar gradualmente recursos hoje retidos em depósitos compulsórios no Banco Central, e assim ampliar a oferta de crédito imobiliário.

Por que a poupança perdeu atratividade

O cenário de juros elevados, com a taxa Selic em 15% ao ano, inflação persistente e aumento do endividamento e da inadimplência, tornou a poupança menos competitiva.

O rendimento da poupança é limitado, porque, quando a Selic ultrapassa 8,5% ao ano, ela rende 0,5% ao mês, mais a variação da Taxa Referencial, o que faz investidores migrarem para títulos públicos, CDBs e outras aplicações.

O consultor Francisco Weliton Barroso, da Unicred Porto Alegre, avaliou, “Por isso, no balanço de 2025, a poupança acabou perdendo espaço como investimento. Ela segue sendo uma opção simples para liquidez imediata e curto prazo, mas, diante dos resultados do último ano, outras alternativas de renda fixa se mostraram mais eficientes para proteger e fazer o dinheiro render“.

Perspectivas para 2026 e alternativas

Especialistas apontam o Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária como substitutos naturais da poupança, por oferecerem melhor correlação com a taxa básica e, em muitos casos, rendimentos acima do CDI, com proteção do FGC.

Marcelo Boragini, da Davos Investimentos, destacou, “o Tesouro Selic, por exemplo, tende a ser o substituto natural da poupança. Tem liquidez diária, o risco é bem baixo e acompanha a taxa básica de juros de forma mais eficiente. Tem os CDBs também de liquidez diária, de bancos médios, que podem ganhar espaço neste ano. Muitos pagam entre 100% e até 110% do CDI, lógico com proteção do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito“.

Para prazos maiores, títulos do Tesouro IPCA+ e prefixados tendem a ganhar protagonismo, e a renda variável pode voltar a atrair investidores se a Selic cair ao longo de 2026, apesar do maior risco e da volatilidade esperada por causa das eleições.

Boragini também alertou, “Vale lembrar que 2026 é um ano de eleição no Brasil, e historicamente, traz volatilidade muito grande. A cada pesquisa eleitoral, a bolsa vai subir ou cair de forma brusca“, e acrescentou que, por isso, é fundamental entender os riscos antes de migrar para ativos mais arriscados.

Além dos movimentos de mercado, o Banco Central registra indicadores que ajudam a explicar as saídas, como a taxa de inadimplência média total em 3,8% em novembro, e o endividamento das famílias em 49,3% da renda acumulada nos doze meses até outubro, níveis que pressionam decisões financeiras das famílias.