Caso Epstein: divulgação de mais de 3 milhões de páginas expõe nomes como Trump, Musk e Gates, vítimas afirmam que agressores seguem ocultos e protegidos

Governo liberou milhões de páginas do Caso Epstein, vítimas exigem transparência e dizem que agressores seguem ocultos e protegidos

As vítimas do Caso Epstein reagiram com protestos e uma carta pública após a divulgação de um grande volume de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, afirmando que os homens que as agrediram continuam ocultos e protegidos.

O material tornouse público na sexta-feira, e inclui fotos, vídeos e trocas de mensagens que mencionam figuras conhecidas, mas, segundo as vítimas, não traz responsabilização suficiente dos supostos cúmplices.

Conforme informação divulgada pelo g1

O que os arquivos mostram

Os documentos liberados somam mais de três milhões de documentos, segundo o Departamento de Justiça, e incluem pelo menos 180 mil imagens e 2 mil vídeos. Entre as menções, aparecem nomes como Donald Trump, Elon Musk, Bill Gates e o ex-príncipe Andrew.

Algumas mensagens citadas nos arquivos causaram repercussão imediata, como uma troca de 2012 em que Elon Musk pergunta, traduzido, “Em que dia/noite será a festa mais selvagem na sua ilha?”. Há também um rascunho de e-mail com alegação sobre Bill Gates, informação que a Fundação Gates negou em comunicado ao New York Times.

Reação das vítimas e pedido por transparência

Em carta assinada por 19 pessoas, algumas identificadas por pseudônimos ou iniciais, as vítimas afirmam que os arquivos contêm dados que permitem sua identificação, “enquanto os homens que abusaram de nós permanecem ocultos e protegidos”. Elas exigem “a publicação completa dos arquivos Epstein” e pedem que a procuradora-geral Pam Bondi preste depoimento ao Congresso no mês seguinte.

As vítimas também reclamam que a versão pública não deixa claro se houve revisão que protegou interesses de poderosos, e exigem que todo o material seja disponibilizado sem omissões.

Posição do governo e declarações do Departamento de Justiça

O procurador-geral adjunto Todd Blanche afirmou em coletiva que a Casa Branca não participou da revisão dos arquivos e que, em suas palavras, “Não disseram a este departamento como fazer nossa revisão, o que procurar, o que censurar, o que não censurar”.

Blanche, que já atuou como advogado de Donald Trump, negou que materiais comprometedores sobre o presidente tenham sido excluídos, dizendo literalmente, “Não protegemos o presidente Trump”, e, também, “Não protegemos nem deixamos de proteger ninguém”.

Ele explicou que todas as imagens de meninas e mulheres foram censuradas, com exceção das que mostram Ghislaine Maxwell, que cumpre pena de 20 anos de prisão por tráfico de menores. O Departamento de Justiça também afirmou que parte dos documentos contém “alegações falsas e sensacionalistas” sobre Trump apresentadas ao FBI antes das eleições de 2020.

Impacto e próximos passos

Jeffrey Epstein, que mantinha relações com figuras públicas e morreu na prisão em 2019, teve a sua morte declarada suicídio enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores. Maxwell é a única outra pessoa acusada formalmente ligada ao esquema de Epstein.

O adiamento da divulgação dos arquivos gerou críticas, e a lei chamada Epstein Files Transparency Act determinou que todos os documentos do Departamento de Justiça fossem publicados até 19 de dezembro, prazo que acabou não sendo cumprido antes do novo envio dos arquivos.

Embora a divulgação traga material sensível e gere pressão por mais investigações, o procurador-geral adjunto minimizou expectativas de que os novos documentos resultem em novas acusações imediatas, enquanto vítimas e parlamentares pressionam por mais transparência e responsabilidades.