Com juros em 15% e Selic nas alturas, confiança do empresário tem o dospior janeiro em 10 anos, CNI aponta ICEI em 48,5 pontos e alerta para falta de confiança na indústria
Setor industrial registra baixa confiança, com Selic em 15% ao ano e sinais claros de cautela entre empresários, conforme levantamento da CNI
A confiança do empresário segue em patamar desconfortável no início de 2026, mesmo com leve alta do indicador, e o setor industrial demonstra cautela diante dos juros elevados.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial, ICEI, subiu 0,5 ponto em janeiro, alcançando 48,5 pontos, mas ainda indica falta de confiança entre os empresários industriais.
O levantamento foi feito com 1.058 empresas entre 5 e 9 de janeiro de 2026, conforme informação divulgada pelo g1.
Resultado geral do ICEI
O ICEI foi para 48,5 pontos em janeiro de 2026, avanço de 0,5 ponto em relação ao mês anterior.
O índice varia de 0 a 100, e valores abaixo de 50 pontos apontam falta de confiança dos empresários industriais.
Apesar da alta, o resultado de janeiro é o piores para o mês em 10 anos, desde janeiro de 2016, período de recessão econômica, segundo a Confederação Nacional da Indústria.
O levantamento ouviu 1.058 empresas, sendo 426 pequenas, 383 médias e 249 grandes, entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2026.
Por que a confiança está baixa
O cenário de juros altos é apontado como fator central para a perda de confiança, com a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos.
Sobre o efeito dos juros e da atividade na confiança, a CNI registrou a avaliação do gerente de Análise Econômica, Marcelo Azevedo:
“A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024. À medida em que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, avaliou o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
Componentes do índice: condições atuais e expectativas
Ao decompor o ICEI, o índice de condições atuais subiu 0,2 ponto, para 44 pontos, permanecendo abaixo dos 50 pontos, o que mostra que empresários avaliam que a economia e os próprios negócios seguem piores do que há seis meses.
O Índice de Expectativas avançou 0,7 ponto, de 50 pontos para 50,7 pontos, indicando que, na média, os empresários voltaram a demonstrar alguma expectativa positiva para os próximos seis meses.
A CNI observa que o otimismo é puxado pela expectativa positiva para o desempenho das empresas, enquanto as perspectivas para a economia ficaram mais negativas.
Impacto para empresas e mercado
Juros elevados tendem a encarecer crédito, reduzir investimentos e pressionar consumo, elementos que ajudam a explicar a queda da confiança do empresário e o comportamento cauteloso das indústrias.
O Copom manteve a Selic em 15% ao ano pela quarta vez seguida, posição que influencia diretamente o custo do dinheiro para empresas e consumidores.
Com indicadores abaixo da neutralidade, setor industrial pode postergar contratações e projetos de expansão até que a percepção sobre demanda e custos melhore.
O levantamento da CNI, com amostra definida por portes de empresa e aplicacão entre 5 e 9 de janeiro de 2026, mostra um quadro em que a confiança do empresário ainda depende de sinais mais claros de retomada da atividade e de estabilidade na política de juros.