Como a tensão entre EUA e Irã pode movimentar o dólar, empurrar o preço do petróleo, abalar bolsas globais e elevar inflação e juros, riscos para investidores
O aumento da tensão entre EUA e Irã tende a impulsionar o dólar como porto seguro, pressionar o preço do barril e reduzir a apetência por risco em bolsas, dependendo da intensidade do conflito
A escalada das ameaças e o reforço militar na região fazem agentes do mercado recalcularem cenários, com foco em câmbio, energia e ações.
Investidores costumam migrar para ativos considerados seguros em momentos de tensão, enquanto o risco sobre a oferta de petróleo ganha importância.
O quadro é complexo, mas o mercado não vê, hoje, um conflito prolongado como o cenário mais provável, conforme informação divulgada pelo g1.
Fortalecimento do dólar e reação dos investidores
Em situações geopolíticas agudas, a moeda americana costuma atuar como proteção, porque é de fácil negociação e liquidez global.
Na análise de mercado, esse movimento é chamado de flight to quality, o que reduz a demanda por ativos mais arriscados e aumenta a procura por dólares.
Conforme a reportagem, o estrategista-chefe da Avenue, William Alves, disse que, “É o que chamamos de ‘flight to quality’ (voo para a qualidade), movimento que tradicionalmente ocorre em momentos de guerra”.
Alves também destacou que, no caso do Irã, existe capacidade de reação, e citou, “O Irã não é a Venezuela. O país tem maior relevância militar e poderia tentar algum tipo de reação contra os EUA. Talvez não em um primeiro momento, mas até mesmo por meio de ataques ou outras ações após uma eventual atuação dos EUA na região”.
Pressão sobre o preço do petróleo e riscos logísticos
O Irã é um grande produtor, e qualquer dano a infraestrutura de produção ou um bloqueio do Estreito de Ormuz pode reduzir oferta e elevar cotações.
O mercado considera o risco de interrupções, mas também pondera o excesso de oferta atual e restrições às vendas do Irã como fatores que podem limitar uma alta imediata.
Na reportagem, o analista da Daycoval Corretora Gabriel Mollo afirmou que uma interrupção pode, “pode levar o barril de petróleo para a faixa de US$ 80. Hoje, está em torno de US$ 70”.
O risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, também é citado como fator de valorização do dólar e de pressão sobre preços.
Impacto nas bolsas e na economia real
Com o aumento da aversão a risco, bolsas globais tendem a recuar, especialmente ativos considerados mais voláteis e investimentos em mercados emergentes.
William Alves aponta que ativos de risco reagem mal a eventos dessa natureza, em especial se houver alta no petróleo e ajuste de juros, o que pressiona lucros projetados de empresas.
Analistas consultados afirmam que a intensidade e a duração do conflito serão decisivas para a profundidade das quedas, bem como eventuais ataques a instalações de energia e logística.
Cenários e conclusões para investidores
O mercado já precifica parte do risco, com aumento do dólar e volatilidade em commodities e ações, mas especialistas não descartam caminhos opostos, dependendo de sinais de contenção.
Alguns fatores de contenção, listados na análise, são o excesso de oferta global de petróleo e as sanções que já limitam vendas iranianas, reduzindo um choque de oferta imediato.
Para investidores, o importante é monitorar três pontos, câmbio, rota do petróleo pelo Estreito de Ormuz e sinais de escalada militar, e ajustar exposição a risco conforme a evolução dos eventos e comunicações oficiais.
As avaliações e citações aqui usadas foram compiladas a partir das informações divulgadas pelo g1, incluindo comentários de William Alves, Vitor Souza, Gabriel Mollo e Malek Zein.