Plano de capital do BRB entregue ao BC após crise com Master, medidas preventivas em 180 dias para recompor capital, reduzir risco de ativos e preservar confiança

Plano de capital do BRB entregue ao Banco Central descreve ações preventivas em 180 dias para recompor patrimônio, mitigar riscos das carteiras compradas do Master e evitar choque de confiança

O presidente do Banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza, levou pessoalmente ao Banco Central, em Brasília, o documento com o plano que detalha medidas para reforçar o capital da instituição após a crise envolvendo ativos do Banco Master.

A reunião na sede do BC durou cerca de duas horas, contou com a presença do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias, e terminou sem entrevistas dos participantes, segundo relatos oficiais.

O documento é descrito pelo próprio banco como um conjunto de medidas a serem ativadas em caso de necessidade, e traz opções para recompor o patrimônio do BRB, com o objetivo de reduzir o risco atrelado aos ativos, conforme informação divulgada pelo g1

O que o plano propõe e como será aplicado

O texto entregue ao BC, segundo o BRB, “apresenta um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro”. O banco afirma ainda que “eventuais valores só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento”.

Embora o conteúdo detalhado do plano esteja sob sigilo entre o BRB e o Banco Central, o próprio banco já havia listado alternativas possíveis em comunicados recentes. Entre as opções avaliadas estão a criação de um fundo de investimento imobiliário usando imóveis do governo do Distrito Federal, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos, e aporte direto dos controladores.

Como controlador, o governo do Distrito Federal detém cerca de 71,92% do capital do BRB, e qualquer medida que afete o caixa público deve passar por aprovação política na Câmara Legislativa do DF, o que torna a decisão também de natureza institucional.

Por que o plano foi necessário

A necessidade do plano decorre de operações feitas entre o BRB e o Banco Master, que enfraqueceram o balanço do banco distrital. Desde o fim de 2024, o BRB gastou bilhões para adquirir carteiras de crédito vinculadas ao Master, operações que depois passaram a ser alvo de questionamentos.

Em comunicado e em registros investigativos surgiram dados preocupantes, por exemplo, a informação de que “Banco Master comprou R$ 6,7 milhões em créditos, não pagou e revendeu ao BRB por R$ 12,2 bilhões”. Além disso, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, e segundo investigações, cerca de R$ 12 bilhões foram para carteiras de crédito consideradas podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras.

Essas inconsistências enfraqueceram o perfil de ativos do BRB, tornando necessário demonstrar que o banco dispõe de um plano claro para recompor capital e manter os requisitos mínimos de solidez do sistema bancário brasileiro.

Investigações em curso e próximos passos

Além das apurações administrativas, a Polícia Federal abriu novo inquérito focado na atuação de gestores do BRB. O Ministério Público também observa indícios de gestão fraudulenta nas transferências entre as instituições, e o caso do Master levou à liquidação do banco pelo Banco Central em novembro, por problemas de liquidez.

O governo do DF, acionista controlador, já sinalizou disposição para ajudar a cobrir prejuízos relacionados ao caso Master. O governador Ibaneis Rocha mencionou a possibilidade de usar patrimônio público, por exemplo, para constituir um fundo imobiliário que participe do reforço patrimonial do BRB, mas qualquer aporte direto do governo dependerá de aval político.

O BRB e o Banco Central mantêm sigilo sobre detalhes operacionais e valores envolvidos, e repetem que eventuais montantes serão fixados apenas após a conclusão das investigações, em especial para preservar a segurança jurídica e a confiança do mercado.

O que acompanhar

Nas próximas semanas, o acompanhamento deve focar em três frentes, a definição das medidas práticas do plano no horizonte de 180 dias, os desdobramentos do inquérito da PF sobre gestores do BRB, e as decisões políticas sobre eventuais aportes do governo do Distrito Federal. Esses elementos vão indicar se o banco conseguirá recompor o capital sem abrir mão da continuidade das operações e da confiança dos clientes e do mercado.