Como antecipar os cortes de juros do BC e preparar sua carteira, estratégias para investidores com Selic em queda, onde investir em renda fixa prefixada e IPCA+
Passo a passo para rebalancear a carteira antes do ciclo de cortes de juros, entendendo prazos, diversificação entre prefixados, títulos atrelados à inflação e o papel do CDI
O mercado financeiro trabalha com a perspectiva de início de cortes na taxa básica de juros ainda no primeiro trimestre, abrindo uma janela para quem quer rever a carteira de renda fixa.
Esse momento pede atenção à combinação entre ativos prefixados, atrelados à inflação e pós-fixados, além do alinhamento claro entre horizonte e liquidez.
Veja a seguir como antecipar os cortes e montar uma estratégia prática para diferentes prazos e perfis de risco, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o Banco Central está cauteloso
Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano, e a sinalização do Copom tem sido de cautela diante de riscos globais e fiscais.
“O cenário global desse ano começou um pouco conturbado, e algumas dessas questões podem afetar a avaliação de risco por parte do BC”, explica a estrategista de investimentos da XP, Rachel de Sá.
Entre os fatores citados estão as tensões no Oriente Médio, efeitos sobre o preço do petróleo e incertezas sobre a condução fiscal no ano eleitoral no Brasil.
Segundo a Febraban, a principal projeção do mercado é de que a reunião desta semana ainda mantenha os juros inalterados, com sete em cada dez bancos estimando uma redução apenas em março.
Quais ativos favorecem quando a Selic começa a cair
Estudos de instituições do mercado mostram que ciclos de queda costumam beneficiar títulos prefixados e indexados à inflação.
Segundo um estudo da XP, o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo de cortes, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período.
O relatório também aponta que, para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, a estimativa é que os títulos atrelados à inflação de curto prazo tenham uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês, tomando como referência o IMA-B 5 e o IRF-M.
Como montar e rebalancear sua carteira
Especialistas orientam começar pela definição de objetivos e horizonte temporal, separando metas de curto, médio e longo prazo.
O planejador financeiro Carlos Castro recomenda dividir a carteira entre renda fixa, renda variável, multimercados e alternativos, e escolher produtos adequados para cada classe, conforme o perfil de risco.
Segundo o especialista de renda fixa do Inter, Rafael Winalda, é fundamental alinhar o prazo do investimento à necessidade de liquidez, para evitar vender ativos longos com prejuízo por marcação a mercado.
Reserve uma parte da carteira para emergência em ativos líquidos e conservadores, aplique em títulos longos apenas recursos que não serão necessários no curto ou médio prazo, e diversifique vencimentos para reduzir riscos.
Dicas práticas para investidores
Rebalanceie o mix de indexadores, combinando prefixados, IPCA+ e pós-fixados, sem abandonar totalmente o CDI, que pode proteger parte da carteira caso o ciclo de cortes seja menor.
Considere escalonar compras em diferentes prazos, mantendo liquidez suficiente para imprevistos e evitando concentração excessiva em um único vencimento.
Por fim, acompanhe indicadores como o Boletim Focus, que traz projeções semanais do mercado, incluindo a expectativa de que a Selic encerre o ano em 12,25% ao ano, ou seja, com uma redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao atual patamar.