Dólar recua a R$ 5,13 e reage a discurso de Trump, resultados da Nvidia e contas públicas, Ibovespa sobe com entrada de capital estrangeiro
Mercado acompanha sinais globais e dados fiscais, com dólar em queda pela manhã e atenção a balanços, fala de dirigentes do Fed e ao resultado do Tesouro
O dólar operava em queda na quarta-feira, em meio a uma combinação de fatores externos e domésticos que têm orientado o apetite por risco dos investidores.
Ao mesmo tempo, o principal índice da Bolsa paulista seguia em alta, sustentado por fluxo estrangeiro e pela melhora no humor global após discursos e indicadores nos Estados Unidos.
Os dados e acontecimentos do dia foram transmitidos, conforme informação divulgada pelo g1.
Cenário internacional e o discurso de Trump
Nos Estados Unidos, o palco político ganhou importância para os mercados, após o discurso do Estado da União do presidente Donald Trump, em tom combativo.
O presidente evitou mencionar a China diretamente, fez ameaças ao Irã e destacou a operação que levou à prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, além de tratar de inflação, tarifas comerciais e do desempenho do mercado de ações.
O discurso teve, segundo a cobertura, duração de cerca de 1 hora e 48 minutos, o mais longo já registrado nesse formato, e trouxe a proposta de uma nova tarifa global de 15% sobre produtos importados, medida que amplia a incerteza sobre comércio internacional.
No calendário corporativo, os investidores aguardavam o balanço da Nvidia, a ser divulgado após o fechamento, considerado um termômetro para o setor de inteligência artificial, e acompanharam discursos de dirigentes do Federal Reserve, que também influenciam expectativas sobre juros e dólar.
Contas públicas do Brasil e efeito no câmbio
Na esfera doméstica, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, resultado abaixo da expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões.
Em comparação com janeiro do ano passado, houve leve piora, uma vez que em 2024 o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
O resultado foi favorecido pela arrecadação federal, apontada como a maior para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995, o que traz algum alívio temporário ao mercado cambial.
Para 2026, a meta é um superávit de 0,25% do PIB, o equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões, com faixa de tolerância de 0,25 ponto percentual em torno da meta, possibilidade de exclusões de até R$ 57,8 bilhões em despesas e a previsão prática de um déficit de R$ 23,3 bilhões caso as projeções se confirmem.
Movimentos do câmbio e da Bolsa
Na manhã, por volta das 10h20, segundo dados de mercado, a moeda americana recuava 0,47%, cotada a R$ 5,1311, enquanto o Ibovespa tinha alta de 0,39%, aos 192.235 pontos.
Na véspera, o mercado já havia reagido ao cenário político, com entrada de capital estrangeiro: o Ibovespa subiu 1,40%, aos 191.490,40 pontos, e o dólar comercial caiu 0,26%, a R$ 5,1553, conforme apurado.
As estatísticas de desempenho mais amplas do dia apontavam, para o dólar, Acumulado da semana: -0,40%;Acumulado do mês: -1,76%;Acumulado do ano: -6,07%. Para o Ibovespa, as marcas eram Acumulado da semana: +0,50%;Acumulado do mês: +5,58%;Acumulado do ano: +18,85%.
Panorama dos mercados globais
Os índices futuros de Wall Street indicavam leves altas antes da abertura, com S&P 500 subia 0,1%, o Dow Jones avançava 0,1% e a Nasdaq ganhava 0,3%, enquanto em Europa o sentimento era mais positivo.
O índice STOXX 600 subia 0,53% e renovava recorde histórico, o FTSE 100 avançava 1%, aos 10.787,30 pontos, o CAC 40 subia 0,3%, aos 8.542,30 pontos, e o DAX avançava 0,2%, aos 25.024,38 pontos.
Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, com destaque para China e Hong Kong, o índice CSI300 subiu 1,2% e o Hang Seng avançou 0,8%, enquanto o Nikkei disparou 2,2%, chegando a 58.583 pontos, e o KOSPI subiu 1,91%, aos 6.083 pontos.
O interesse em ativos ligados a metais e minerais estratégicos cresceu após sinais de que o governo americano pretende usar IA para definir preços de referência desses insumos, movimento que influencia setores específicos e a composição do fluxo global.
Em resumo, a combinação entre indicadores fiscais domésticos, movimentos políticos nos EUA e resultados corporativos em tecnologia tem mantido o mercado volátil, com o câmbio reagindo à percepção de risco e ao fluxo de capitais, e a Bolsa aproveitando apoio de estrangeiros e do apetite por papéis de maior rendimento.