Como fundos da Reag foram usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, com empréstimos, circulação em minutos, superavaliação de títulos e retorno em CDBs

Operação Compliance Zero e apurações do Banco Central descrevem movimentações rápidas entre fundos da Reag que teriam permitido inflar resultados e esconder riscos do Banco Master

Três parágrafos curtos de introdução seguem para explicar o esquema, suas etapas e o impacto regulatório.

As investigações apontam que uma cadeia de empréstimos e aplicações foi usada para dar aparência de liquidez e patrimônio ao Master.

As informações sobre prazos, valores e entidades envolvidas estão sendo apuradas pela Polícia Federal e pelo Banco Central, conforme informação divulgada pelo g1

O mecanismo da fraude

Segundo a apuração, o processo começou com captações do Banco Master via CDBs, oferecidos com rendimento acima do mercado para atrair recursos.

Em 22 de abril de 2024, o Banco Master concedeu um empréstimo de R$ 459 milhões à empresa Brain Realty Consultoria, e, dois dias depois, a Brain transferiu quase todo o valor, R$ 450 milhões, para o fundo Brain Cash, administrado pela Reag.

No mesmo dia, o montante circulou em questão de minutos por outros fundos geridos pela Reag, como D Mais e High Tower. Parte dos recursos foi usada pelo fundo High Tower para comprar títulos antigos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina.

Embora esses títulos tenham custado cerca de R$ 850 milhões, o fundo registrou em balanço que valiam mais de R$ 10 bilhões, o que inflou artificialmente o patrimônio e a rentabilidade dos fundos.

Em seguida, parcela desses títulos supervalorizados foi revendida a outros fundos da Reag por valores bilionários, e o capital inicial foi pulverizado entre diversos fundos, como Anna, Astralo 95 e Growth 95.

Cerca de três horas depois das operações, os fundos aplicaram quase todo o valor em CDBs do próprio Banco Master, fazendo com que o dinheiro retornasse ao banco, agora com aparência de investimento legítimo.

O papel da Reag e da CBSF

A administradora, cujo novo nome é CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust DTVM, está no centro das apurações por suposta estruturação e administração de fundos que movimentaram recursos de forma atípica.

O Banco Central identificou essa engenharia financeira como forma de inflar patrimônio de fundos e mascarar os riscos do Banco Master, com indícios de fraude e lavagem de dinheiro.

Além disso, a Polícia Federal investiga se a Reag foi utilizada para desviar recursos do Master e se houve uso de familiares dos controladores para ocultar o real controle de ativos e fundos de investimento.

A liquidação extrajudicial e consequências regulatórias

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF nesta quinta-feira, dia 15, encerrando imediatamente as atividades da gestora, segundo nota da autoridade monetária.

A decisão atinge a instituição, mas não os fundos sob sua gestão, que seguem ativos e deverão buscar novos administradores, conforme o comunicado do BC.

O BC afirmou que a medida decorre do descumprimento de regras legais e prudenciais, o que comprometeu a capacidade de operar de forma segura, e que continuará adotando medidas cabíveis para apurar responsabilidades.

Nos termos da lei, ficaram indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição, e a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. foi nomeada como liquidante.

Como PF e BC seguem as investigações

A Polícia Federal incluiu a Reag na Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, e examina indícios de operação voltada à confusão do rastreamento do dinheiro.

Documentos citados pela investigação indicam uso de diversos FIDIC’s para operacionalizar as fraudes, segundo a representação do Banco Central mencionada no processo.

As apurações seguem para definir responsabilidades, e os resultados podem levar a sanções administrativas e encaminhamentos às autoridades competentes, enquanto os fundos tentam reorganizar suas administrações.