Como o acordo UE-Mercosul deve afetar o bolso dos brasileiros, acordo UE-Mercosul pode baratear vinhos, carros, remédios e reduzir custos do campo e da indústria

O acordo UE-Mercosul pode reduzir tarifas sobre produtos europeus no Brasil, baratear vinhos, carros, medicamentos e equipamentos agrícolas, e ampliar exportações

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul deve alterar o fluxo de mercadorias entre os blocos e alcançar tanto o consumo cotidiano quanto setores como indústria e agronegócio.

Consumidores podem ver maior oferta de vinhos, queijos, azeites e outros produtos europeus, e empresas brasileiras podem importar tecnologias mais baratas para modernizar linhas de produção.

Essas previsões são baseadas em estimativas e declarações de especialistas, conforme informação divulgada pelo g1.

O que tende a ficar mais barato para o consumidor

Uma das mudanças mais visíveis será a maior presença de produtos tradicionais da União Europeia no mercado brasileiro, com possibilidade de queda gradual de preços em itens como vinhos, queijos e lácteos.

Especialistas apontam que a redução ocorre em grande parte pela eliminação gradual de tarifas alfandegárias. Hoje, por exemplo, carros importados da Europa enfrentam taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, o que pode contribuir para o barateamento desses veículos.

Rodrigo Provazzi afirma, “Do ponto de vista do mercado interno, é importante destacar que já somos grandes compradores, principalmente de produtos com maior valor agregado da UE. A expectativa é de redução de preços no médio e no longo prazo”, conforme informação divulgada pelo g1.

Impacto nos custos de produção e na indústria

O acordo também influencia insumos e equipamentos. A eliminação de tarifas deve reduzir custos de máquinas, tratores, fertilizantes, drones e sistemas de agricultura de precisão, favorecendo o investimento em modernização.

Leonardo Munhoz avalia que “Máquinas, equipamentos e tratores, assim como produtos químicos, fertilizantes e implementos agrícolas, além de drones e sistemas de agricultura de precisão, como sensores e telemetria, são importados da Europa e devem ter custos menores para os produtores”, conforme informação divulgada pelo g1.

Para a indústria, a chegada de bens manufaturados e tecnologias europeias mais competitivas pode baratear insumos e tornar mais viáveis investimentos em atualização, o que deve afetar a dinâmica de emprego e valor agregado, segundo especialistas citados pelo g1.

Exportações, ganhos setoriais e riscos para os preços internos

O acordo abre mercado para produtos brasileiros na Europa e pode elevar vendas de carnes, frutas, calçados e outros bens. Em 2022, as exportações do Brasil para a UE alcançaram US$ 49,8 bilhões, enquanto o bloco europeu exportou US$ 50,3 bilhões para o Brasil.

Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado, e que até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto nacional em 0,46%, conforme informação divulgada pelo g1.

A Apex estima que o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões, com potencial de ampliar as exportações brasileiras em R$ 7 bilhões adicionais, conforme informação divulgada pelo g1.

Há risco de aumento de preços internos em produtos do agronegócio muito exportados, devido à redução da oferta no mercado doméstico. Rodrigo Provazzi observa que isso é possível, mas avalia improvável impacto significativo no bolso do consumidor no curto prazo, conforme informação divulgada pelo g1.

Quem ganha e o tempo das mudanças

Setores como vinhos, azeites, chocolates e bebidas destiladas devem ver queda de preços no médio e longo prazo, segundo especialistas ouvidos pelo g1. Produtos farmacêuticos, inclusive de uso veterinário, já representam mais de 8% do total das importações europeias para o Brasil, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, MDIC.

Algumas tarifas serão eliminadas rapidamente, por exemplo, calçados, atualmente sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, terão essas taxas zeradas em até 4 anos, e casos pontuais, como a uva, com taxação de 14%, terão tarifas eliminadas assim que o acordo entrar em vigor, conforme informação divulgada pelo g1.

Em linhas gerais, a expectativa é de que os consumidores ganhem com mais oferta e preços menores ao longo do tempo, enquanto produtores e indústrias precisarão se adaptar para competir e aproveitar novas oportunidades comerciais, conforme informação divulgada pelo g1.