Como o acordo UE-Mercosul deve impactar o bolso dos brasileiros, redução de tarifas, preços de carnes, vinhos, medicamentos e prazos de adaptação
O acordo UE-Mercosul prevê eliminação ou redução gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os blocos, com efeitos no consumo, na indústria e no agronegócio no Brasil
O tratado entre União Europeia e Mercosul deve alterar o fluxo de mercadorias e serviços, e trazer mudanças perceptíveis no dia a dia do consumidor brasileiro.
Entre os impactos esperados estão maior oferta de produtos europeus, queda gradual de preços em itens como vinhos, azeites e queijos, e eventual acesso a marcas premium até então pouco presentes no país.
No curto e médio prazos, o acordo também deve afetar custos industriais e de produção no campo, ao baratear máquinas, equipamentos e insumos importados, e abrir mais espaço para exportações brasileiras à Europa, conforme informação divulgada pelo g1.
O que muda no bolso dos consumidores
A principal consequência para quem faz compras será a maior presença de **produtos tradicionais europeus** no mercado brasileiro, e a possibilidade de **preços mais competitivos** em categorias que hoje sofrem altas tarifas de importação.
O texto do acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos, o que deve tornar mais baratos, ao longo do tempo, vinhos, azeites, queijos e lácteos importados.
Produtos como carros importados enfrentam hoje taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, o que aponta para queda de preços mas de forma gradual, devido à complexidade de cadeias globais de suprimentos e insumos.
Impacto nos setores produtivos, insumos e exportações
O acordo não só amplia ofertas ao consumidor, como também facilita o acesso a tecnologias e insumos europeus, o que pode reduzir custos industriais e estimular modernização, inclusive no agronegócio.
Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, “o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões), com potencial de ampliar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) adicionais”, afirmando o ganho de mercado potencial para o país.
As exportações do Brasil para o bloco alcançaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões). Apesar disso, a balança comercial segue mais favorável ao bloco europeu, que exportou US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões) para o Brasil.
Setores como calçados e frutas devem ganhar acesso facilitado ao mercado europeu, por exemplo, calçados produzidos no Mercosul, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, devem ter essas taxas zeradas em até quatro anos, e em alguns casos, como o da uva, a taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor.
Prazos, projeções e o que esperar nos próximos anos
Os efeitos sobre preços e produção tendem a ser graduais, variando conforme o tipo de produto e a complexidade da cadeia produtiva. Itens com cadeias locais mais simples podem baratear mais rápido, enquanto bens complexos e com componentes globais podem demorar mais a refletir reduções de custo.
Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo. Até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%, segundo o instituto.
Na prática, consumidores podem começar a ver maior oferta e quedas graduais de preços em categorias como vinhos e queijos, e o setor produtivo poderá reduzir custos ao importar máquinas, equipamentos e insumos, o que também pode favorecer investimentos e modernização do campo.
Por fim, o acordo amplia oportunidades e traz desafios, porque exige adaptações da indústria e do agronegócio para competir em qualidade, rastreabilidade e padrões regulatórios, ao mesmo tempo em que abre portas para novos produtos europeus chegarem ao Brasil, alterando a dinâmica de oferta e preços, conforme informação divulgada pelo g1.