Correios preveem queda de 26% nas receitas e aumento de 21% das despesas em 2026, recebem empréstimo de R$ 12 bilhões e anunciam reestruturação liderada por Emmanoel Rondon
Orçamento para 2026 aponta R$ 17,7 bilhões em receitas, despesas de R$ 29 bilhões, carência do empréstimo até 2029 e possibilidade de novo crédito de R$ 8 bilhões
Os Correios projetam um cenário de aperto financeiro para 2026, com receitas menores e custos mais altos em meio a um plano de reestruturação e à contratação de crédito com garantia da União.
A empresa prevê retorno ao lucro apenas em 2027, enquanto já recebeu parcela de um empréstimo bilionário para tentar reduzir o rombo nas contas.
Os dados e medidas citados a seguir constam do demonstrativo orçamentário e de anúncios oficiais, conforme informação divulgada pelo g1.
Previsões orçamentárias e situação das receitas
Para 2026, o demonstrativo orçamentário dos Correios aponta R$ 17,7 bilhões em receitas correntes, um recuo de 26% em relação à previsão de 2025.
O documento mostra que o valor estimado para 2026 é R$ 6,3 bilhões inferior ao previsto para 2025, quando a expectativa era de R$ 24 bilhões, e também fica abaixo da projeção de 2024, de R$ 20,6 bilhões.
Até setembro de 2025, a empresa havia registrado R$ 12,3 bilhões em receitas, o equivalente a 60% do total previsto para o ano, o que deixaria a companhia dependentemente de uma arrecadação adicional de R$ 8,3 bilhões no último trimestre, cerca do dobro da média registrada nos trimestres anteriores.
Despesas projetadas e fatores que elevam custos
No lado das despesas, os Correios estimam um aumento de R$ 5 bilhões, ou 21%, nas despesas correntes, que passam de R$ 24 bilhões em 2025 para R$ 29 bilhões em 2026.
A previsão inclui crescimento da despesa com pessoal, que sobe R$ 1,5 bilhão, ou 10,5%, passando de R$ 14,2 bilhões para R$ 15,7 bilhões. Em sentido contrário, os gastos com dirigentes tiveram redução proporcional, caindo de R$ 13,9 milhões em 2025 para R$ 8,8 milhões em 2026.
Entre os fatores que explicam a alta de custos estão programas específicos, como o programa de demissão voluntária, e provisões relacionadas à reestruturação.
Empréstimo de R$ 12 bilhões, condições e uso dos recursos
Os Correios contrataram até R$ 12 bilhões junto a um consórcio de bancos privados, e nesta terça-feira receberam R$ 10 bilhões da operação, cujo contrato foi publicado no Diário Oficial da União.
O consórcio é formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, e a operação tem garantia da União, autorizada pelo Tesouro Nacional em 18 de dezembro.
Segundo a empresa, o aporte foi dividido com Banco do Brasil, Caixa e Bradesco aportando R$ 3 bilhões cada, enquanto Itaú e Santander emprestaram R$ 1,5 bilhão cada. A operação tem carência de três anos e início dos pagamentos mensais previsto para dezembro de 2029.
A taxa de juros foi fixada em 115% do CDI, abaixo do teto de 120% estabelecido pelo Tesouro. A empresa não descartou a possibilidade de novos empréstimos, de até R$ 8 bilhões, por meio do Tesouro Nacional ou de novas operações de crédito.
Plano de reestruturação, metas e projeções para 2027
O plano de reestruturação prevê redução de custos e venda de ativos, com metas explícitas de cortar gastos e redesenhar operações.
Entre as medidas previstas estão corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais, fechamento de cerca de mil pontos de atendimento deficitários, e reformulação do plano de saúde com economia estimada em R$ 500 milhões por ano.
Os Correios também planejam implementar um PDV visando reduzir em até 15 mil o número de funcionários em dois anos, o que representaria uma redução de 18% na folha.
Segundo a companhia, o modelo econômico-financeiro tinha uma sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízos. A expectativa formal é equilibrar as contas em 2026 e voltar a registrar lucro a partir de 2027, com receita alvo de R$ 21 bilhões em 2027.
Nos resultados recentes, os Correios divulgaram prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, ante R$ 1,3 bilhão de prejuízo no mesmo período de 2024, e alertaram que, sem ajustes, a empresa pode registrar prejuízo de até R$ 23 bilhões em 2026.
Impactos no mercado de encomendas e investimentos futuros
A perda de participação no mercado de encomendas tem sido apontada como causa relevante da queda de receitas, com a participação dos Correios caindo de 51% em 2019 para 22% em 2025.
Parte da redução foi associada ao programa Remessa Conforme, que introduziu imposto sobre pequenas importações e permitiu que empresas privadas distribuíssem encomendas internacionais no Brasil.
Para o médio prazo, a estatal projeta investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos de um empréstimo do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, presidido por Dilma Rousseff, destinados à automação de centros, renovação de frota, modernização de TI e redesenho logístico.
As medidas anunciadas buscam estabilizar as finanças e recuperar competitividade, enquanto a empresa navega entre pressões de custo, queda de receita e a necessidade de financiamento, conforme informação divulgada pelo g1.