Correios vendem apenas 3 dos 12 imóveis no primeiro leilão do plano de socorro, arrecadam R$ 9,1 milhões e mantêm cronograma de novos leilões para tentar R$ 1,5 bilhão
Primeira etapa de vendas online teve ofertas para 12 propriedades em sete estados, mas apenas três foram arrematadas, e estatal afirma que imóveis sem propostas voltarão aos editais
O primeiro leilão virtual do plano de reestruturação dos Correios teve vendas aquém do esperado, com apenas três dos 12 imóveis ofertados arrematados, em cidades de três estados.
As unidades vendidas ficam em Campo Grande, Belo Horizonte e Caturaí, e a operação gerou um caixa de R$ 9,1 milhões, bem abaixo da meta de arrecadação anunciada pela estatal.
O leilão faz parte de uma série de editais para tentar levantar recursos dentro do plano de socorro da empresa, conforme informação divulgada pelo g1.
Resultados e valores do primeiro leilão
No pregão virtual realizado na quinta-feira, os lances puderam ser feitos para 12 imóveis localizados em sete estados, e, segundo a divulgação, se todos tivessem sido vendidos pelo valor mínimo a arrecadação seria de mais de R$ 14,5 milhões.
Ao final, foram efetivadas três vendas, que totalizaram R$ 9,1 milhões. O imóvel com maior lance mínimo era um prédio comercial de 3 mil metros quadrados em Belo Horizonte, cuja oferta mínima foi de R$ 8,3 milhões.
Sobre as unidades que não atraíram propostas, a estatal informou que “os imóveis que não receberam propostas nesta etapa serão novamente disponibilizados nos próximos leilões, em continuidade à estratégia de racionalização e otimização do patrimônio da empresa”.
Próximas etapas e calendário de leilões
Novas rodadas já estão agendadas nas próximas semanas. No dia 26 de fevereiro serão leiloados nove imóveis cujo valor mínimo totaliza R$ 28,2 milhões.
Além dessa data, a agenda prevê outros seis leilões entre março e abril, com prazos finais de lance em 5, 12, 19, 26 de março e 2 e 9 de abril. Após o encerramento do período de lances, haverá análise das propostas e a declaração dos vencedores.
Contexto da crise financeira dos Correios
A venda de imóveis é uma das medidas do plano de reestruturação apresentado no fim do ano passado, que visa melhorar o caixa da empresa enquanto enfrenta déficits crescentes.
Os números citados pela estatal e em reportagens mostram que em 2022 a empresa fechou as contas com mais de R$ 700 milhões no vermelho, e que o rombo em 2024 foi de R$ 2,5 bilhões. De janeiro a setembro do ano passado, os Correios registraram prejuízo de R$ 6 bilhões.
Fontes internas da empresa apontam que os Correios esperam resultado negativo de R$ 5,8 bilhões no consolidado de 2025, e, segundo documento da Diretoria Econômico-Financeira, a projeção para 2026 é de um rombo de R$ 9,1 bilhões.
Impactos e próximos passos
Economistas consultados antes do leilão já haviam alertado que alguns valores pareciam superestimados diante das condições das unidades, que apresentam sinais de vandalismo e depredação em determinados locais.
O desempenho fraco da primeira etapa aumenta a pressão sobre a estatal para intensificar vendas e ajustar preços, caso queira aproximar-se da meta de arrecadação de R$ 1,5 bilhão prevista no plano de socorro.
Fica o monitoramento sobre como os próximos leilões irão performar, se haverá redução de preços mínimos e quais imóveis conseguirão atrair interessados, diante do quadro financeiro complexo enfrentado pelos Correios.