Por que o México foi maior beneficiado pelas tarifas de Trump, como o T-MEC elevou exportações em 2025 e qual é o teste decisivo nas negociações de 2026
México beneficiado pelas tarifas de Trump, 5,66% de alta nas exportações para os EUA em 2025, vantagem do T-MEC e risco na renegociação marcada para 2026
O México conseguiu ampliar sua participação nas importações americanas após a onda tarifária anunciada por Donald Trump, aproveitando isenções ligadas ao T-MEC e vantagem logística próxima aos EUA.
O aumento de exportações mexicanas foi acompanhado por mudanças na estratégia de empresas e investidores, que transferiram parte da produção para o país buscando escapar de tarifas mais altas.
Essas transformações, porém, estão sujeitas a um teste importante neste ano, com a renegociação do tratado entre México, Estados Unidos e Canadá, conforme informação divulgada pelo g1.
Como o T-MEC virou proteção e alterou rotas comerciais
Uma das explicações centrais para o impacto positivo no México é a isenção tarifária concedida a produtos que cumprem as regras do T-MEC.
Segundo Erica York, analista do Centro de Política Federal de Impostos do Tax Foundation, “Uma das maiores isenções às tarifas do ‘Dia da Libertação’ do presidente americano foi para os produtos que atendem às exigências do T-MEC”. Esse alívio fez empresas que antes preferiam pagar tarifas optar por seguir as normas do acordo.
A mudança acelerou processos de nearshoring, com fabricantes que já produziam no México ganhando espaço à medida que estoques contratados no exterior se esgotavam.
Dados e números que explicam o ganho do México
O aumento nas exportações mexicanas foi quantificado de forma clara em 2025. O México registrou um crescimento geral de 5,66% nas exportações para os Estados Unidos, segundo dados citados pelo g1.
O Modelo de Orçamento Penn Wharton (PWBM), da Universidade da Pensilvânia, indicou que os produtos mexicanos pagaram uma “tarifa de importação efetiva de 4,6%, em outubro de 2025”. O Canadá apresentou 3,9% no mesmo indicador.
Em contraste, a tarifa efetiva para produtos chineses atingiu 37,1% no ano passado, e a média global para o restante do mundo foi de 10,91% em outubro, contra 2,2% registrados em janeiro de 2025, segundo o PWBM.
Esses números ajudaram a consolidar o México como um dos “ganhadores inesperados” da política tarifária americana, expressão usada por veículos internacionais para descrever o realinhamento do comércio em 2025.
Setores favorecidos e limitações do avanço
Nem todos os setores mexicanos colheram os mesmos benefícios. O setor automotivo teve ganho modesto, com aumento de apenas 0,9% em 2025, resultado abaixo do esperado, mesmo após negociações que limitaram tarifas a componentes “não fabricados nos Estados Unidos”.
Ao mesmo tempo, segmentos como aço e alumínio sofreram com tarifas de 25% impostas pelos EUA e registraram queda nas exportações. Ou seja, o benefício não foi homogêneo para todas as cadeias produtivas mexicanas.
Mario Campa, especialista em política econômica, explicou a lógica do comprador americano, “Quando você, como comprador nos Estados Unidos, seja consumidor ou empresa, começa a observar que as tarifas estão subindo por todos os lados, irá se dirigir ao país que conseguiu a menor alíquota”.
O teste decisivo: renegociação do T-MEC e alternativas do México
A maior incerteza agora é política. Em 13 de janeiro, Donald Trump declarou que, para ele, o T-MEC parece “irrelevante” e afirmou, “Nem mesmo penso no T-MEC. Quero o bem do Canadá e do México. Mas o problema é que não precisamos dos seus produtos”.
O presidente americano foi além, dizendo, “Não precisamos de carros fabricados no Canadá. Não precisamos de carros fabricados no México. Queremos fabricá-los aqui”, e ainda, “E é isso o que está acontecendo, todos estão se mudando para cá, do Canadá, México, Japão, Alemanha, de todo o mundo”.
Na resposta, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou estar “certa de que nossa relação comercial com os Estados Unidos irá continuar”, lembrando a forte integração industrial entre os países.
O cenário de renegociação pode variar entre a renovação do acordo, um rompimento total ou cenários intermediários que alterem quem é premiado ou prejudicado no comércio regional. Campa observa que movimentos como acordos do Canadá com a China representam um sinal de alerta para a coesão do bloco.
Se o pior cenário se confirmar, o México terá que acelerar planos para diversificar mercados, como o “Plano México” anunciado pela presidente Sheinbaum, e reduzir a dependência excessiva das exportações aos EUA.
Enquanto isso, a condição de México beneficiado pelas tarifas de Trump pode ser uma fotografia do momento, que depende do desfecho das negociações do T-MEC e das decisões empresariais nos próximos meses.