Daniel Vorcaro depoimento Brasília no STF, acareação determinada por Toffoli, investigação sobre Banco Master e venda ao BRB envolvendo R$ 12 bilhões
Daniel Vorcaro depoimento Brasília inicia com chegada por volta das 11h, oitivas a partir das 14h, possibilidade de acareação e acompanhamento por juiz auxiliar e Ministério Público
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, desembarcou em Brasília e seguiu ao Supremo Tribunal Federal, em ação ligada ao inquérito que apura fraudes financeiras envolvendo a instituição.
O carro onde Vorcaro estava entrou na garagem do STF, e sua chegada ocorreu por volta das 11h, segundo apuração. A Polícia Federal vai colher depoimentos a partir das 14h de Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.
Após as oitivas, a delegada responsável pelo caso vai avaliar se há divergências relevantes entre as versões apresentadas, e, se entender necessário, poderá determinar a realização de uma acareação entre os envolvidos, conforme informação divulgada pelo g1.
Chegada e roteiro das oitivas
Vorcaro chegou em um voo de carreira no Aeroporto de Brasília, e seguiu ao STF, onde o depoimento será acompanhado por um juiz auxiliar do gabinete do ministro Dias Toffoli, e por um representante do Ministério Público.
Além de Vorcaro, prestam depoimento Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, e Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central. A Polícia Federal marcou as oitivas a partir das 14h, e a delegada analisará eventuais contradições.
Negociações, possíveis divergências e papel do BC
Vorcaro e Paulo Henrique Costa participaram conjuntamente das negociações para a venda do Banco Master ao BRB, banco público do governo do Distrito Federal, posição destacada pelos investigadores.
Embora não seja investigado, ao contrário de Vorcaro e Costa, Ailton de Aquino Santos, por obrigação técnica, analisou alternativas para a crise do Master, incluindo aporte de recursos, troca de diretoria, venda e, por fim, a liquidação.
Investigadores apontam chance de divergência no depoimento de Ailton, já que a Diretoria de Fiscalização, em conjunto com sua equipe, recomendou a liquidação, enquanto a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro, comandada por Renato Gomes, vetou a venda ao BRB.
Decisões no STF e reação do setor financeiro
A acareação foi determinada por Dias Toffoli, relator do inquérito, e o procedimento tramita em sigilo no STF desde o início de dezembro. No dia 24 de dezembro, Toffoli marcou a acareação de ofício, sem pedido da Polícia Federal ou do Ministério Público.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a suspensão da medida, por considerá-la prematura, mas o pedido foi negado. O Banco Central recorreu ao STF pedindo esclarecimentos sobre a acareação na sexta-feira (26), e Toffoli rejeitou o recurso no sábado (27), mantendo a data do procedimento.
Entidades que representam bancos, fintechs e o mercado financeiro divulgaram notas em defesa da autonomia e da atuação técnica do Banco Central, alertando que revisar decisões como a liquidação de uma instituição pode fragilizar o regulador e gerar instabilidade no sistema financeiro.
Investigação sobre o Banco Master e as transações com o BRB
A apuração, iniciada em 2024 na Justiça Federal, indica que o Banco Master teria adquirido créditos de uma empresa chamada Tirreno sem efetuar pagamento, e em seguida vendido esses ativos ao BRB, que teria desembolsado cerca de R$ 12 bilhões.
O Banco Central rejeitou a compra do Master pelo BRB e decretou a liquidação da instituição em novembro, entre outros motivos, pela falta de dinheiro em caixa para cumprir compromissos financeiros, incluindo títulos com vencimento em 2025, segundo a Polícia Federal.
O caso segue sob análise da Polícia Federal e do STF, com depoimentos previstos e a possibilidade de acareação caso sejam identificadas divergências relevantes entre as versões, mantendo o acompanhamento de autoridades judiciais e do Ministério Público.