Daniel Vorcaro e Banco Master, conexões na política e na Justiça, PF faz buscas em 42 endereços, bloqueio de R$ 5,7 bilhões e risco ao FGC
Investigação revela rede de influências de Daniel Vorcaro e Banco Master entre políticos, juristas e gestores, com mandados em cinco estados e impacto sistêmico no Fundo Garantidor de Crédito
A Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero na quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, com mandados de busca e apreensão ligados a executivos do Banco Master e familiares do fundador.
Foram cumpridos mandados em 42 endereços em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, e houve bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, por determinação do ministro Dias Toffoli, do STF.
As apurações também reúnem informações sobre contratos, doações eleitorais e encontros entre figuras do mercado, da política e do Judiciário, que motivaram atenção pública e institucional, conforme informação divulgada pelo g1.
O que a operação apura e as medidas adotadas
A nova fase da investigação mira o empresário Daniel Vorcaro, fundador e ex-CEO do Banco Master, parentes dele, e outros alvos, incluindo Nelson Tanure e João Carlos Mansur.
Segundo as decisões judiciais, foram cumpridos mandados em 42 endereços e bloqueados bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões, medida determinada pelo ministro Dias Toffoli, do STF, no âmbito da Operação Compliance Zero.
O Banco Central liquidou o Master em novembro de 2025, após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB por R$ 12,2 bilhões, negócio que é um dos focos da investigação.
Conexões políticas e doações
Reportagens e documentos apontam que Vorcaro e executivos do Master mantinham contatos com políticos de diferentes espectros, e que houve tentativas de viabilizar a venda do banco ao BRB, com participação de nomes como Ciro Nogueira e Antonio Rueda.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e ex-executivos do BRB aparecem em relatos sobre negociação para aquisição de ações do Master, negócio que foi vetado pelo Banco Central.
Doações eleitorais chamaram atenção, em especial transferências de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, que doou R$ 3 milhões à campanha presidencial de Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio de Freitas em 2022.
Conexões jurídicas e contratos examinados
Em buscas anteriores, a Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro um contrato no valor de R$ 129 milhões com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes.
O documento previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante três anos a partir de 2024, sem especificar processos determinados, segundo reportagem citada nas apurações.
O caso também envolve menções a encontros e contatos entre ministros do STF e autoridades do Banco Central, e decisões processuais que colocaram o inquérito sob sigilo, com relatoria do ministro Dias Toffoli.
A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que ele, e cito literalmente, “colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”, e que “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.
Perfil de Vorcaro, impacto no sistema financeiro e opiniões de especialistas
O Banco Master, que chegou a figurar como 22º maior banco do país, detinha cerca de R$ 63 bilhões em ativos e R$ 41 bilhões em depósitos, entre os quais CDBs contratados por cerca de 1,6 milhão de investidores.
Especialistas alertam para o efeito sobre o Fundo Garantidor de Crédito, já que o montante das aplicações colocadas em risco representa cerca de um terço do caixa do FGC, segundo apurações.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que esta pode ser a “maior fraude bancária” do país, e o economista Cleveland Prates Teixeira declarou que, cito, “O que me chama atenção nesse caso é a capacidade de um sujeito que tem um banco pequeno de botar braço para tudo quanto é lado num ambiente político e institucional e contaminar isso, É isso que me assusta”.
Vorcaro, de 42 anos, é conhecido por investimentos e estilo de vida ostentoso, e por recorrer a estratégias de captação via CDBs com taxas elevadas, que ampliaram rapidamente a base de clientes do Master.
As investigações seguem em andamento, muitas decisões correm em sigilo no STF, e autoridades prometem aprofundar apurações sobre possíveis fraudes, contratos e a extensão das redes de influência identificadas.