Dívidas com garantia da União alcançam R$ 336,65 bilhões em quatro meses de 2025, puxadas por empréstimo dos Correios de R$ 12 bilhões e concentração em bancos e multilaterais
Gasto recorde foi motivado por operação dos Correios com R$ 10 bilhões pagos em 2025, e mostra que estados respondem por 68,8% do total, com forte presença de bancos federais e organismos multilaterais
O saldo de garantias concedidas pela União em operações de crédito atingiu níveis elevados no fechamento dos quatro últimos meses de 2025. O movimento foi influenciado por uma operação bilionária destinada a conter risco de colapso em uma estatal federal.
Além do impacto direto nos números, o relatório revela concentração das garantias em determinados credores e entes federativos, com implicações para o risco fiscal. O quadro exige atenção sobre eventuais pagamentos futuros pela União.
Conforme informação divulgada pelo g1
Montante total e divisão entre operações internas e externas
Segundo o documento, o saldo devedor de garantias concedidas pela União em operações de crédito alcançou R$ 336,65 bilhões ao final do período. Desse total, R$ 153,33 bilhões correspondem a operações de crédito internas, representando 45,5%, enquanto R$ 183,32 bilhões referem-se a operações de crédito externas, equivalentes a 54,5% do montante.
As operações internas envolvem instituições financeiras nacionais, e as externas incluem recursos de organismos multilaterais e agências internacionais, o que explica a divisão observada no relatório.
Quem são os credores e onde está a concentração
No segmento interno, os bancos federais, como Banco do Brasil, BNDES, Caixa e BNB, concentram grande parte das operações. O relatório aponta que, entre os credores, os bancos federais concentram 93,5% (R$ 143,33 bilhões) das operações de crédito internas.
Já nas operações externas, os organismos multilaterais, como BIRD, BID, CAF e NDB, respondem por 95,4% (R$ 174,94 bilhões) do total das exposições internacionais garantidas pela União.
Participação por entes federativos e destaque por estados
Quanto às partes garantidas, os estados representam a maior fatia do saldo, com 68,8%, o que corresponde a R$ 230,99 bilhões. Em seguida aparecem os municípios, com 17,5% (R$ 59,02 bilhões), e os bancos federais, com 7,2% (R$ 24,34 bilhões).
Entre os entes federativos, o estado de São Paulo lidera o saldo devedor, com 11,3% do total (R$ 38,05 bilhões), seguido pelo Rio de Janeiro, com 8,3% (R$ 28,04 bilhões), segundo o relatório.
Estatais, operação dos Correios e honra de garantias
As estatais federais representam 3,8% do saldo total das garantias. Nesse grupo, os Correios concentram a maior fatia, com 3% do total, o equivalente a R$ 10 bilhões. Em seguida aparecem a Eletronuclear, com 0,8% (R$ 2,68 bilhões), e a Eletrobrás, com 0,1% (R$ 197,39 milhões).
Em dezembro de 2025, diante do risco de colapso dos Correios, o Tesouro assinou um contrato de garantia da União para uma operação de crédito de R$ 12 bilhões para a estatal. O financiamento foi firmado com um consórcio de bancos, e R$ 10 bilhões foram pagos em 2025 pelos bancos, passando a integrar o saldo devedor das operações de crédito garantidas pela União do período.
O Tesouro informou, ainda, que honrou R$ 11,08 bilhões em dívidas garantidas dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e do Rio Grande do Norte em 2025. No total, desde 2016, a União realizou o pagamento de R$ 86,52 bilhões.
O relatório, ao detalhar credores, entes e estatais, aponta para desafios de gerenciamento das garantias e para a necessidade de monitoramento das contrapartidas e dos limites de endividamento previstos em lei.