Dólar e Ibovespa recuam com atenção ao discurso de Trump, balanço da Nvidia, falas do Fed e incerteza política no Brasil, com contas públicas em foco
Dólar e Ibovespa sofrem pressão com sinais de política externa dos EUA, resultados corporativos, falas do Fed e dados fiscais do Brasil, gerando cautela entre investidores
O mercado brasileiro operou com leve recuo nesta quarta-feira, em meio a um cenário internacional tenso e a ruídos da política doméstica.
Pela manhã, a cotação do dólar e o comportamento do índice acionário mostraram que investidores estão mais seletivos, aguardando balanços e declarações de autoridades.
O movimento também reflete leitura de pesquisas eleitorais e números fiscais que podem influenciar o fluxo de capitais.
conforme informação divulgada pelo g1
Cenário intradiário: números e variações
Pela manhã, por volta das 12h15, a moeda americana recuava 0,11%, a R$ 5,1495. No mesmo horário, o principal índice da bolsa, Ibovespa, registrava baixa de 0,27%, aos 190.964 pontos.
Na véspera, o mercado havia mostrado o lado oposto, com entrada de recursos estrangeiros: o Ibovespa subiu 1,40%, aos 191.490,40 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,26%, a R$ 5,1553.
Os acumulados recentes também ilustram a recuperação das ações e a leve acomodação do câmbio, com o dólar em tendência de queda no mês e no ano, e o Ibovespa com ganhos relevantes em 2026.
Dólar, Acumulado da semana: -0,40%, Acumulado do mês: -1,76%, Acumulado do ano: -6,07%.
Ibovespa, Acumulado da semana: +0,50%, Acumulado do mês: +5,58%, Acumulado do ano: +18,85%.
Impacto do discurso de Trump e agenda americana
O presidente dos Estados Unidos fez o discurso do Estado da União em tom combativo, sem mencionar a China, às vésperas de viagem a Pequim, mas com ameaças ao Irã e menções a operações na Venezuela.
Trump também falou sobre inflação, tarifas comerciais e desempenho do mercado de ações, e anunciou a proposta de uma tarifa global de 15% sobre produtos importados.
Além disso, investidores aguardam o balanço da Nvidia, que será divulgado após o fechamento em Nova York, e acompanham discursos de dirigentes do Federal Reserve, fatores que afetam o apetite por risco e, consequentemente, o comportamento do dólar e do Ibovespa.
Contas públicas e política local
No Brasil, o Tesouro Nacional informou que o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões em janeiro, contra expectativa de superávit de R$ 88,8 bilhões, e com leve piora em relação a janeiro de 2024, quando o superávit foi de R$ 88,84 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
O resultado foi impulsionado pela arrecadação federal, mas a projeção para 2026 mantém desafios, com meta central de superávit de 0,25% do PIB, equivalente a cerca de R$ 34,3 bilhões, e margem de tolerância prevista no arcabouço fiscal.
No campo político, pesquisa da AtlasIntel mostrou um empate técnico em eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, com 46,2% e 46,3%, respectivamente, informação que tem repercutido no mercado e na confiança de investidores.
Panorama global e leitura do investidor
Em Wall Street, houveram sinais de leve recuperação nas praças após dias de instabilidade, com índices acionários reagindo à perspectiva sobre inteligência artificial e à expectativa pelos balanços de tecnologia.
Na Europa e na Ásia, bolsas renovaram ganhos, com destaque para tecnologia e commodities estratégicas, enquanto incertezas sobre tarifas comerciais e política externa dos EUA mantêm o mercado em alerta.
Com esse conjunto de fatores externos e locais, o comportamento do dólar e do Ibovespa segue sensível a notícias de última hora, balanços corporativos e dados fiscais, exigindo atenção de investidores e gestores para os próximos dias.