Dólar em queda nesta segunda: mercado cauteloso com escolha do presidente do Fed, ameaça de tarifas de Trump ao Canadá e dados do Boletim Focus

Mercado acompanha de perto expectativa sobre o Fed, boletim Focus do Banco Central e tensões EUA, Canadá e China, fatores que mantêm o dólar sob pressão

O dólar iniciou a sessão em queda, em meio à cautela dos investidores sobre a escolha do novo presidente do Fed e às tensões geopolíticas entre Estados Unidos, Canadá e China.

Além das incertezas externas, o mercado também digere dados e projeções locais que afetam a trajetória da moeda e da bolsa, em especial o boletim Focus do Banco Central.

As informações usadas nesta reportagem foram compiladas e verificadas, conforme informação divulgada pelo g1.

Resumo do pregão e dados recentes

Na sexta-feira, o dólar subiu 0,05%, cotado a R$ 5,2867. Já o principal índice da bolsa de valores brasileira avançou 1,86% nesta sexta-feira, aos 178.859 pontos, marcando o 5º dia consecutivo de ganhos.

Na abertura desta segunda-feira, o dólar começou a sessão desta segunda-feira (26) em queda de 0,22%, sendo cotado a R$ 5,2749 por volta das 9h. As cotações refletem a combinação de fluxos internacionais e expectativas sobre política monetária.

Entre os acumulados, o relatório apontou que o dólar registra, acumulado da semana -1,60%, acumulado do mês -3,68%, acumulado do ano -3,68%.

Tensões geopolíticas e impacto no mercado

O clima de aversão ao risco ganhou força após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar aplicar tarifas de 100% sobre produtos importados do Canadá, caso o país avançe em um acordo comercial com a China.

O episódio teve conexão direta com a recente viagem do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, a Pequim, onde foi anunciado um acordo que prevê, entre outros pontos, redução de tarifas sobre a canola canadense e a entrada de até 49 mil carros elétricos chineses com tarifa de 6,1%.

Em resposta às ameaças, o Ministério das Relações Exteriores da China disse que os acordos comerciais com o Canadá não têm como alvo um terceiro país, e, segundo o porta-voz Guo Jiakun, “A China entende que os países devem conduzir suas relações uns com os outros com uma mentalidade de ganha-ganha, em vez de soma zero, e por meio da cooperação, e não do confronto”.

Agenda econômica, projeções do Focus e sinais de política monetária

O boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou que economistas reduziram a projeção da inflação para 2026, de 4,02% para 4%.

O levantamento também traz a expectativa de que a Selic caia para 12,25% ao final do ano, enquanto o PIB deve crescer 1,8% e o dólar fechar em R$ 5,51. Para 2027 e anos seguintes as projeções de inflação permanecem em 3,80% para 2027 e 3,50% para 2028 e 2029.

Essas projeções locais ajudam a explicar a sensibilidade dos investidores à política monetária do Brasil, ao mesmo tempo em que decisões nos Estados Unidos, inclusive sobre o comando do Fed, influenciam fluxos internacionais.

Bolsas globais e cenário externo

Em Wall Street, os mercados fecharam a sessão sem direção única, com o Dow Jones Industrial Average caindo 0,58%, o S&P 500 avançando 0,02% e o Nasdaq Composite subindo 0,28%.

Na Europa, o índice STOXX 600 caiu 0,1% no fechamento, acumulando perda de 1,1% na semana, enquanto entre as bolsas nacionais, Londres recuou 0,07%, Paris perdeu 0,07% e Frankfurt avançou 0,18%.

Na Ásia, os resultados foram mistos, com Xangai subindo 0,33%, o CSI300 caindo 0,45% e o Hang Seng de Hong Kong avançando 0,45%. Outros índices, como o Nikkei e o KOSPI, também registraram ganhos modestos.

Analistas destacam que o conjunto de fatores, entre eles a possível indicação do novo presidente do Fed, a ameaça de tarifas e a agenda de dados locais, deve manter o mercado em estado de vigilância, com o dólar sensível a qualquer sinalização de risco ou de política monetária.

Com informações da agência de notícias Reuters e conferência de dados, conforme informação divulgada pelo g1.