Dólar sobe e Ibovespa oscila com dados de serviços e falas do Fed no radar; veja o que esperar

Dólar abre em alta com dados de serviços no radar e discursos do Fed

Na abertura do pregão desta sexta-feira, o dólar comercial registrou uma leve alta, cotado a R$ 5,4121, com uma valorização de 0,14%. Esse movimento ocorre após a moeda norte-americana ter recuado 1,17% na véspera, encerrando o dia em R$ 5,4044. O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, por sua vez, aguarda o início de suas negociações previsto para as 10h.

Os mercados financeiros iniciam o dia atentos a uma série de fatores econômicos. No cenário doméstico, a divulgação de dados sobre o volume de serviços e as próximas decisões sobre a taxa Selic são pontos cruciais. No âmbito internacional, as declarações de três importantes dirigentes do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) ganham destaque, especialmente em um momento de sinais de moderação na política monetária americana.

Na quinta-feira, o mercado brasileiro experimentou um “respiro” com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros e adotar um tom mais conservador. Essa postura contribuiu para a queda do dólar e a alta do Ibovespa no dia anterior, mas agora as atenções se voltam para os novos indicadores.

Conforme informação divulgada pelo g1, o volume de serviços no Brasil avançou 0,3% em outubro de 2025 na comparação com setembro, segundo dados do IBGE. Este resultado, que já considera o ajuste sazonal, ficou em linha com as projeções dos economistas e marca o nono mês consecutivo de crescimento para o setor, que acumula uma alta de 3,7% no período. O patamar atual de atividade é 20,1% superior ao registrado no período pré-pandemia (fevereiro de 2020), atingindo o maior nível da série histórica.

Impacto dos dados de serviços e cenário externo

O avanço de 0,3% no volume de serviços entre setembro e outubro foi observado em todas as cinco atividades pesquisadas. O setor de transportes se destacou com um crescimento de 1,0%, acumulando 2,4% em três meses. Outras áreas como informação e comunicação (0,3%), outros serviços (0,5%), serviços profissionais e administrativos (0,1%) e serviços prestados às famílias (0,1%) também apresentaram resultados positivos, algumas recuperando perdas do mês anterior.

A média móvel trimestral, que ajuda a suavizar as oscilações mensais, subiu 0,4% no trimestre encerrado em outubro. Quatro dos cinco setores registraram resultados positivos neste período, com outros serviços (1,1%) e transportes (0,8%) liderando os ganhos. Em relação a outubro de 2024, o volume de serviços cresceu 2,2%, com metade dos 166 tipos de serviços pesquisados apresentando expansão.

Discursos do Federal Reserve e bolsas globais

No cenário internacional, a agenda econômica conta com a fala de três dirigentes do Federal Reserve. Patrick Harker falará às 12h, Loretta Mester às 12h30 e Austan Goolsbee às 14h35, todos no horário de Brasília. A expectativa é por declarações que possam reforçar um tom menos restritivo por parte do banco central americano, o que tem sido um fator de otimismo para os mercados.

Em Wall Street, na quinta-feira, os índices S&P 500 e Dow Jones fecharam em níveis recordes, impulsionados pela valorização da maioria das ações e pelos sinais moderados do Fed. No entanto, o Nasdaq registrou queda, refletindo cautela em empresas de tecnologia após previsões da Oracle sobre aumento de investimentos em IA, o que gerou preocupações com custos. O Dow Jones avançou 1,34% e o S&P 500 teve ganhos de 0,21%, enquanto o Nasdaq recuou 0,26%.

As principais bolsas europeias encerraram o pregão de quinta-feira em alta, influenciadas pelo otimismo após a decisão de juros nos EUA e os comentários sobre a política monetária. O índice STOXX 600 subiu 0,52%, o FTSE 100 (Londres) avançou 0,49%, o DAX (Frankfurt) teve alta de 0,68% e o CAC 40 (Paris) registrou ganho de 0,79%.

Na Ásia, as bolsas fecharam em queda, com o índice de Xangai recuando 0,7% e o CSI300 perdendo 0,86%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve uma leve queda de 0,04%. No Japão, o Nikkei perdeu 0,90%. A atenção do mercado asiático se voltou para a Conferência Central de Trabalho Econômico da China, que define a agenda econômica do país para 2026.

Desempenho do Dólar e Ibovespa

A cotação do dólar reflete, em parte, a confiança na economia brasileira, que pode ser influenciada por fatores como os gastos e dívidas do governo. O acumulado da semana para o dólar é de -0,52%, com uma alta de 1,30% no mês e uma expressiva queda de 12,55% no ano. Já o Ibovespa acumula alta de 1,15% na semana, 0,07% no mês e 32,34% no ano, demonstrando um desempenho positivo no longo prazo.