E-mail revela que Elon Musk perguntou sobre visita à ilha de Jeffrey Epstein, documentos com mais de 3 milhões de páginas expõem mensagens, vídeos e imagens sensíveis

Documentos mostram troca de mensagens em 2013 entre Elon Musk e Jeffrey Epstein, apontando convites para a ilha de Epstein, e nova leva inclui milhares de arquivos multimídia

Uma nova remessa de arquivos ligada à investigação sobre Jeffrey Epstein traz à tona uma troca de e-mails de 2013 em que Elon Musk pergunta sobre uma visita à ilha particular do empresário.

Os documentos fazem parte de um conjunto maior liberado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e incluem mensagens, fotos e vídeos que reavivam investigações sobre a rede de exploração sexual operada por Epstein.

O material divulgado nesta sexta-feira integra mais de 3 milhões de páginas, segundo as autoridades, e reacende perguntas sobre quem manteve comunicação com Epstein e se convites foram aceitos ou recusados, conforme informação divulgada pelo g1.

O que consta na correspondência

Nos e-mails tornados públicos, consta uma pergunta enviada por Musk a Epstein em 2013 relativa a uma possível visita à ilha particular do empresário, e a resposta de Epstein, que diz, textualmente, que “sempre (há) espaço para você”.

Não há, nos documentos divulgados, confirmação de que a viagem tenha se concretizado, e a divulgação não altera, por si só, o fato de que Elon Musk afirmou anteriormente ter recusado convites para a propriedade de Epstein.

Em post na rede X, no dia 27 de setembro de 2025, Musk escreveu, conforme os registros: “Epstein tentou me convencer a ir para a ilha dele e eu RECUSEI”.

Volume e conteúdo da nova leva de arquivos

Segundo o vice-procurador-geral, Todd Blanche, a nova leva inclui “mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens, que têm ‘grandes quantidades de pornografia comercial'”.

Blanche afirmou também, em trecho divulgado, que “A divulgação de hoje marca o fim de um processo muito abrangente de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e conformidade com a lei”.

O Departamento de Justiça havia reconhecido anteriormente que havia divulgado apenas “1%” dos arquivos que tinha, e a liberação das informações começou em dezembro, em cumprimento parcial à Lei de Transparência dos Arquivos Epstein.

Em 23 de dezembro, o governo liberou mais de 30 mil documentos, mostrando laços de Epstein com políticos e celebridades, e citando pelo menos uma vítima brasileira. No dia 24, o departamento informou que demoraria “algumas semanas” para liberar o restante.

Repercussão, alegações e implicações

A ilha particular de Epstein nas Ilhas Virgens Americanas era apontada como epicentro da rede, e o avião privado do empresário, apelidado de “Lolita Express”, é citado nas investigações sobre viagens que levavam jovens acompanhando convidados.

Questionado sobre possível interferência política na revisão dos arquivos, Blanche disse que a Casa Branca não participou da revisão, e declarou, citando o departamento, que “Não protegemos Trump na divulgação dos arquivos”, garantiu.

Vítimas e advogados afirmam que a divulgação amplia a compreensão sobre o alcance da operação de Epstein, e manchetes como “Arquivos vão ajudar a me curar”, atribuídas a uma vítima brasileira, mostram o impacto emocional da liberação dos documentos.

As novas revelações devem alimentar investigações jornalísticas e questionamentos públicos sobre relacionamentos e convites, mesmo quando não há evidência direta de participação em crimes por parte de terceiros citados nas mensagens.