Empréstimo aos Correios, União avaliza R$ 10 bilhões e consórcio de bancos libera crédito, veja quem aporta, taxas e o plano para recuperar as contas até 2027
Repasse de R$ 10 bilhões já foi depositado, União garante operação, taxa ficou em 115% do CDI, e empresa ainda busca mais R$ 8 bilhões para concluir a reestruturação
Os Correios receberam o repasse de R$ 10 bilhões do empréstimo negociado com um consórcio de bancos, para ajudar a recompor a saúde financeira da estatal.
O contrato de garantia, que coloca a União como avalista da operação, foi publicado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, e parte dos recursos já entrou nas contas da empresa.
Com parte do crédito em caixa, a estatal quitou a folha de dezembro e mantém a expectativa de novos aportes, conforme informação divulgada pelo g1.
Detalhes do empréstimo e da garantia da União
O acordo envolve Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, e prevê validade até 2040, com carência de 3 anos e pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029.
Segundo a divulgação, o Banco do Brasil, a Caixa e o Bradesco aportam R$ 3 bilhões cada, e Itaú e Santander, R$ 1,5 bilhão cada, totalizando os R$ 12 bilhões originalmente contratados.
Do montante, R$ 10 bilhões foram liberados ainda neste mês, e os outros R$ 2 bilhões devem ser pagos em janeiro, conforme o cronograma divulgado.
Taxa, risco e participação do Tesouro
A operação tem garantia da União, autorizada pelo Tesouro Nacional em 18 de dezembro, o que reduz o risco para os bancos credores.
A taxa de juros ficou em 115% do CDI, abaixo do teto de 120% do CDI estabelecido pelo Tesouro, e com a garantia do governo federal, o Tesouro deve honrar as parcelas caso os Correios fiquem inadimplentes.
Plano de reestruturação, cortes e metas financeiras
O plano apresentado pela direção prevê cortes e medidas para restaurar o equilíbrio, entre elas redução de R$ 2,1 bilhões nos custos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais, e o fechamento de 1.000 agências deficitárias.
A companhia anunciou também um programa de demissão voluntária, com a meta de reduzir em 15 mil o número total de funcionários em até dois anos, o que representaria uma redução de 18% na folha de pagamentos.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, declarou que o modelo econômico-financeiro da empresa deixou de ser “viável” e que “a rota precisa ser ajustada rapidamente” para reverter os prejuízos acumulados.
Perdas recentes, metas de receita e cenário futuro
Em setembro, a estatal apresentou prejuízo de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, contra R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024, e a expectativa é recuperar as contas em 2026 e voltar a ter lucro em 2027.
Os Correios projetam alcançar R$ 21 bilhões em receitas em 2027, diante de uma queda recente, com receita de R$ 18,9 bilhões em 2024, contra R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 19,8 bilhões em 2022.
Rondon alertou para riscos se as medidas não avançarem, afirmando ainda, “Não tem mudança substancial em 2025 que vá afetar este ano, A expectativa é que ainda exista uma leve piora para 2026”.
Opções para captar os R$ 8 bilhões faltantes e investimentos futuros
A companhia informou que ainda estuda captar mais R$ 8 bilhões, seja por novos empréstimos ou por aportes do Tesouro Nacional, e que a melhor alternativa será definida após análises.
O plano original previa levantar R$ 20 bilhões, mas, segundo Rondon, “O plano de reestruturação foi concebido com uma necessidade declarada de captação de recursos da ordem de R$ 20 bilhões. Então, a gente fez uma primeira rodada com bancos, recebemos oferta dos R$ 20 bilhões, mas a uma taxa que a gente entendeu que estava mais elevada”.
Além da recuperação operacional, os Correios planejam investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030, com recursos previstos do Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, para automação, renovação e descarbonização da frota, modernização de TI e redesenho da malha logística.