Empréstimo de R$ 10 bilhões para os Correios: entenda o contrato com aval da União, juros a 115% do CDI, carência de 3 anos e impacto na reestruturação
Contrato publicado pela PGFN liberou R$ 10 bilhões este mês, com validade até 2040, juros a 115% do CDI, carência de 3 anos, e saldo de R$ 2 bilhões a pagar em janeiro
Os Correios receberam o repasse de R$ 10 bilhões previsto para este mês, em uma operação que tem a União como avalista e foi formalizada em contrato publicado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
O montante já permitiu que a estatal pagasse o salário de dezembro de todos os funcionários, estimado em R$ 300 milhões, e deixa R$ 2 bilhões a serem depositados em janeiro.
As informações foram confirmadas com exclusividade pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.
Como foi o acordo e quem aportou o crédito
O contrato assinado no Diário Oficial da União envolve um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A operação teve autorização do Tesouro Nacional em 18 de dezembro, e a assinatura foi publicada no DOU no dia 27, conforme detalhado na publicação da PGFN.
Segundo a companhia, Banco do Brasil, Caixa e Bradesco vão aportar R$ 3 bilhões cada, enquanto Itaú e Santander contribuem com R$ 1,5 bilhão cada, totalizando a linha de crédito de R$ 12 bilhões, dos quais R$ 10 bilhões foram liberados agora.
Termos do empréstimo e garantia da União
O contrato tem validade até 2040, prevê prazo de carência de 3 anos e pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029. A taxa de juros ficou em 115% do CDI, abaixo do teto de 120% do CDI estabelecido pelo Tesouro.
Com o aval do Tesouro, o governo federal passa a ser responsável pelo pagamento caso os Correios entrem em inadimplência, o que reduz o risco para os bancos que concederam o crédito.
Plano de reestruturação, cortes e metas financeiras
O plano de reestruturação apresentado pela direção dos Correios prevê cortes e medidas para recuperar as contas em 2026 e voltar a ter lucro em 2027. Entre as medidas, a estatal prevê redução de R$ 2,1 bilhões nos custos com pessoal, venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais e fechamento de 1.000 agências, das cerca de 5.000 atuais.
A empresa vai implantar um programa de demissão voluntária com a expectativa de, em até dois anos, reduzir 15 mil empregados, o que representaria um corte de 18% na folha, e reformular o plano de saúde para reduzir o custo em R$ 500 milhões anuais.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que “o plano de reestruturação foi concebido com uma necessidade declarada de captação de recursos da ordem de R$ 20 bilhões. Então, a gente fez uma primeira rodada com bancos, recebemos oferta dos R$ 20 bilhões, mas a uma taxa que a gente entendeu que estava mais elevada“.
Resultados, riscos e próximos passos
Os Correios acumularam 12 trimestres seguidos de prejuízos, com resultado de R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025, ante prejuízo de R$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2024. A direção alertou para a necessidade de ação rápida, citando que “a rota precisa ser ajustada rapidamente” para evitar um possível prejuízo de R$ 23 bilhões em 2026.
Além do empréstimo liberado, a empresa não descarta captar mais R$ 8 bilhões, via aporte do Tesouro ou nova operação de crédito. Rondon também disse que “Não tem mudança substancial em 2025 que vá afetar este ano. A expectativa é que ainda exista uma leve piora para 2026“.
Na agenda de receitas, os Correios esperam alcançar R$ 21 bilhões em 2027, depois de registrar R$ 18,9 bilhões em 2024. A perda de participação no mercado de encomendas foi apontada como fator de queda nas receitas, com recuo de participação de 51% em 2019 para 22% em 2025.
Por fim, a estatal planeja captar R$ 4,4 bilhões junto ao Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS para investimentos em automação, renovação e descarbonização da frota, modernização de TI e redesenho logístico entre 2027 e 2030.