EUA flexibilizam sanções, autorizam Chevron, BP, Shell, Eni e Repsol a retomar operações e investir no setor de petróleo da Venezuela

EUA autorizam que empresas globais retomem operações na Venezuela e firmem contratos de investimento no setor de petróleo e gás, com proibições a companhias da Rússia, do Irã e da China

Os Estados Unidos emitiram duas licenças gerais que abrem caminho para que grandes petrolíferas voltem a operar na Venezuela, em uma mudança significativa na política de sanções que vigora desde 2019.

A primeira licença autoriza empresas como Chevron, BP, Eni, Shell e Repsol a retomar atividades de petróleo e gás no país, e a segunda permite firmar novos contratos de investimento no setor energético venezuelano.

As medidas incluem restrições específicas, proibindo transações com companhias da Rússia, do Irã ou da China, e com entidades controladas por joint ventures ligadas a esses países, conforme informação divulgada pelo g1.

O que autorizam as novas licenças

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, ligado ao Departamento do Tesouro, emitiu uma licença geral que autoriza Chevron, BP, Eni, Shell e Repsol a retomar operações de petróleo e gás na Venezuela.

Uma segunda licença permite que empresas de todo o mundo assinem contratos para novos investimentos no setor energético venezuelano, com a ressalva de que não sejam feitas transações com empresas da Rússia, do Irã ou da China, nem com entidades pertencentes ou controladas por joint ventures ligadas a pessoas desses países.

Além disso, as autorizações facilitam o fornecimento de bens, tecnologia, software e serviços dos EUA para exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás na Venezuela.

Números e declarações oficiais

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que as vendas de petróleo venezuelano desde a captura de Nicolás Maduro somaram US$ 1 bilhão, e que podem alcançar outros US$ 5 bilhões nos próximos meses.

Wright também declarou que os Estados Unidos controlarão os lucros das vendas até que a Venezuela estabeleça um “governo representativo”, segundo reportagem do g1.

A medida chega em um momento em que a administração Trump busca atrair recursos estrangeiros para o setor, com a meta citada de aproximadamente US$ 100 bilhões em investimentos, conforme informações veiculadas pelo g1.

Quem ganha e quais são os riscos

Para as petrolíferas, a licença abre oportunidades de retomada de produção e de projetos de exploração, mesmo em campos afetados por anos de abandono e falta de manutenção.

No entanto, a proibição de negócios com players da Rússia, do Irã e da China impõe limites claros ao escopo das parcerias e pode gerar disputas diplomáticas e comerciais.

Empresas que tiveram ativos venezuelanos confiscados no passado, como ExxonMobil e ConocoPhillips, são alvo de tentativas de atração por parte dos EUA, embora executivos tenham dito que a Venezuela ainda apresenta risco para investimentos, conforme reportado pelo g1.

Impactos econômicos e próximos passos

Especialistas apontam que a volta de grandes petroleiras pode acelerar a recuperação da produção e gerar receitas significativas, mas o controle dos lucros pelos EUA até a formação de um novo governo cria uma dinâmica inédita entre soberania, investimento e supervisão externa.

Nas próximas semanas, será observado como as empresas responderão às licenças, quais contratos serão assinados, e de que forma a proibição de parcerias com determinados países influenciará a estratégia global do setor.

O avanço das negociações e os números de produção e venda serão monitorados de perto, tanto pelo mercado quanto por atores políticos internacionais, em cenário que combina interesses econômicos e geopolíticos.