EUA planejam controle das vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado, supervisionando receitas e reinserção de petroleiras americanas no país

EUA afirmam que manterão controle das vendas de petróleo da Venezuela por período indefinido, acompanhando produção, receitas e atuação de grandes companhias americanas

O governo dos Estados Unidos informou que pretende exercer um papel duradouro na supervisão da indústria petrolífera venezuelana, incluindo o monitoramento das vendas e dos lucros decorrentes da produção, em movimento que pode transformar o fluxo de óleo comercializado entre os dois países.

As declarações, segundo fontes, vieram de autoridades americanas durante eventos e declarações públicas, e indicam diálogo com líderes venezuelanos e com grandes petroleiras dos EUA sobre como restaurar e vender a produção venezuelana.

Nos próximos parágrafos, explicamos o que foi dito, os números citados, e os desafios técnicos e financeiros para recuperar a produção, com análises de especialistas e dados oficiais, conforme informação divulgada pelo g1.

O que foi dito por autoridades americanas

Em declaração citada pelo The New York Times, o secretário de Energia, Chris Wright, disse que o país pretende manter um controle significativo sobre a indústria petrolífera da Venezuela, incluindo a supervisão da venda da produção “indefinidamente”.

Wright afirmou também, durante conferência do Goldman Sachs perto de Miami, que “Daqui para frente, venderemos a produção proveniente da Venezuela para o mercado”, frase que ressalta a intenção de participação direta dos EUA nas transações.

Promessas de entrega e controle de receitas

O presidente Donald Trump publicou que a Venezuela entregaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris aos Estados Unidos, volume equivalente a até dois meses de produção diária, e que os lucros dessas vendas seriam controlados pelo governo americano.

Essas declarações foram divulgadas nas redes sociais do presidente, e alimentam a perspectiva de que os EUA possam gerir tanto a comercialização quanto os recursos gerados pelas exportações de petróleo venezuelano.

Capacidade e obstáculos para elevar a produção

Apesar das reservas, a Venezuela hoje produz cerca de 1 milhão de barris por dia, nível reduzido por sanções e problemas de infraestrutura, segundo as informações citadas.

Wright corroborou estimativas que apontam possibilidade de elevação da produção em várias centenas de milhares de barris por dia em curto prazo, mas advertiu que retornos mais expressivos exigem tempo e investimentos.

Ele afirmou, na mesma fala, que “Para voltar aos níveis históricos de produção, são necessários dezenas de bilhões de dólares e um tempo considerável”, destacando que a recuperação plena não será imediata.

Contexto geopolítico e dados sobre reservas

A Venezuela tem a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration, número que supera Arábia Saudita e Irã nas estimativas citadas.

Antes das primeiras sanções dos EUA, refinarias da Costa do Golfo norte-americana importavam cerca de 500 mil barris por dia do petróleo venezuelano, segundo o histórico apresentado durante as declarações.

Analistas alertam que abrir o setor para grandes companhias americanas demandará investimentos vultosos, reabilitação de infraestrutura e um ambiente político e legal estável para atrair capital, fatores essenciais para que o controle das vendas se traduza em aumento de oferta e receitas.