EUA vão controlar as vendas de petróleo da Venezuela por tempo indeterminado, supervisionando lucros e recebendo até 50 milhões de barris, diz governo
Declarações do secretário de Energia e do presidente Trump ampliam o papel dos Estados Unidos na comercialização e no destino dos recursos petrolíferos venezuelanos, com promete de entregas
O governo dos Estados Unidos pretende manter um controle significativo sobre a indústria petrolífera da Venezuela, incluindo a supervisão da venda da produção, por tempo indeterminado.
As declarações, segundo reportagem do The New York Times, foram feitas pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, e ocorrem após manifestações do presidente Donald Trump sobre entregas de petróleo venezuelano aos EUA.
As informações, com dados e falas de autoridades americanas, apontam para negociações também com grandes companhias petrolíferas dos EUA, e para a possibilidade de elevação da produção venezuelana em curto prazo, conforme informação divulgada pelo g1
O que disseram Washington e Trump
Em participação em uma conferência de energia do Goldman Sachs, Wright afirmou que a administração pretende supervisionar a comercialização da produção venezuelana, e declarou, em palavras citadas pelo The New York Times, “Daqui para frente, venderemos a produção proveniente da Venezuela para o mercado”.
Wright também afirmou que o governo mantém um “diálogo ativo” com a liderança venezuelana e com grandes companhias petrolíferas americanas que atuam no país, e corroborou estimativas segundo as quais a Venezuela poderia elevar a produção em várias centenas de milhares de barris por dia em curto período, embora para voltar a níveis históricos sejam necessários investimentos de dezenas de bilhões de dólares e tempo considerável, colaborando com a ideia de recuperação gradual.
O presidente Donald Trump, por sua vez, afirmou nas redes sociais que a Venezuela entregaria entre 30 milhões e 50 milhões de barris aos Estados Unidos, o equivalente a até dois meses de produção diária, e que os lucros dessas vendas seriam controlados pelo governo americano, segundo publicação nas redes sociais.
Impacto na produção e nos investimentos
Analistas apontam que, apesar de haver capacidade de aumento, elevar a produção venezuelana além de alguns centenas de milhares de barris por dia exigirá investimentos pesados e tempo, porque a infraestrutura do país está degradada.
Wright ponderou que aumentos mais expressivos, acima dos níveis atuais de cerca de 1 milhão de barris por dia, demandariam “dezenas de bilhões de dólares e um tempo considerável”, e questionou, citando a reportagem, “Mas por que não?”.
O governo americano também manifestou interesse em abrir o setor para grandes companhias dos EUA, com a expectativa de que elas invistam bilhões para consertar a infraestrutura e gerar lucros, conforme declaração de Trump, “Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”.
Contexto das reservas e do mercado
A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration, colocando o país à frente da Arábia Saudita, com 267 bilhões de barris, e do Irã, com 209 bilhões de barris.
Antes das primeiras sanções, refinarias americanas na Costa do Golfo importavam cerca de 500 mil barris por dia do tipo pesado venezuelano, e hoje a produção venezuelana está em torno de 1 milhão de barris por dia, afetada por sanções e por problemas de infraestrutura.
A possível supervisão americana das vendas e dos lucros da Venezuela, e a expectativa de entrega de milhões de barris, reabre debates sobre soberania, legalidade internacional e os caminhos para a recuperação da indústria petrolífera venezuelana.