Exportação de petróleo pelo Brasil cresce 13,3% em janeiro e atinge maior volume em quase 3 anos, impulsionada por pré-sal, Petrobras e Equinor

Volume recorde em janeiro reflete entrada de quatro novas plataformas no pré-sal em 2025, aumento da produção e papel de campos como Búzios, Mero e Bacalhau

A exportação de petróleo pelo Brasil apresentou aumento expressivo no primeiro mês de 2026, alcançando o maior volume mensal em quase três anos, com impactos diretos na dinâmica do setor e nas cadeias de produção.

O crescimento das vendas externas veio em um contexto de ampliação da produção no pré-sal, com novas plataformas entrando em operação em campos estratégicos, e reforça a posição do país como protagonista na oferta regional de petróleo.

Os dados divulgados sobre o comércio exterior mostram alta de volumes, ao mesmo tempo em que a receita caiu, por conta da queda nos preços internacionais do petróleo, conforme informação divulgada pelo g1.

Os números que explicam o movimento

A exportação de petróleo do Brasil cresceu 13,3% em janeiro ante o mesmo mês do ano anterior, para o maior volume mensal em quase três anos. No total, o Brasil exportou 10,57 milhões de toneladas no primeiro mês do ano, contra 9,33 milhões de toneladas no mesmo período de 2025, informou a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Historicamente, o volume só fica atrás de março de 2023, quando o Brasil exportou 11 milhões de toneladas. Esses números mostram que a retomada de capacidade e novos investimentos no pré-sal estão traduzindo produção em exportações.

Receita e preços, por que caíram

Apesar do aumento do volume, a receita das vendas externas de petróleo recuou. Houve uma queda de 7,8% nas vendas externas de petróleo em janeiro na comparação anual, a US$ 4,3 bilhões (R$ 22,6 bilhões), diante de um recuo nos preços da commodity.

No primeiro mês de 2026, o preço do petróleo vendido pelo Brasil foi de US$ 407,4 (R$ 2.142,11) por tonelada, um recuo de 18,6% ante o mesmo período de 2025. Assim, mais barris exportados não se traduziram em maior receita, devido ao movimento de queda nos preços internacionais.

O papel do pré-sal e novas plataformas

O crescimento das exportações foi impulsionado pela entrada de quatro novas plataformas em importantes campos do pré-sal em 2025. No ano passado, a Petrobras colocou três novas plataformas em operação, sendo duas no campo de Búzios e uma no campo de Mero, ambos ativos relevantes da Bacia de Santos.

A norueguesa Equinor, por sua vez, iniciou a produção em seu campo de Bacalhau, também em Santos. Esses incrementos de capacidade ajudaram a elevar o volume exportado no início de 2026.

Perspectivas e contexto regional

Relatório da consultoria Rystad Energy apontou que o Brasil será o principal responsável pelo aumento da produção de petróleo na América Latina em 2026, com uma produção prevista acima de 4,2 milhões de barris por dia.

Além disso, o país chegou a um recorde de produção em 2025, segundo dados da ANP, com “3,770 milhões de barris por dia (bpd), com alta de 12,3% ante o ano anterior”, o que ajuda a explicar a oferta adicional destinada ao mercado externo.

Em suma, a exportação de petróleo pelo Brasil ampliou volumes graças à expansão do pré-sal e à entrada de plataformas, enquanto a variação de preços internacionais pressionou a receita, criando um quadro de crescimento em quantidade e ajuste em faturamento.