FMI melhora projeção da economia global para 2026, mas reduz crescimento do Brasil para 1,6%, com juros em 15% e avanço da IA

FMI eleva previsão global para 2026 para 3,3%, mas avalia que o crescimento está concentrado em poucos setores, enquanto o Brasil sente o aperto dos juros altos

O Fundo Monetário Internacional revisou para cima a estimativa de crescimento da economia mundial em 2026, apontando fatores tecnológicos como motor da recuperação.

No entanto, o mesmo relatório mostra ajuste na projeção para o Brasil, que deverá crescer menos devido ao aperto da política monetária.

Esses números e constatações constam da avaliação divulgada na atualização das projeções globais, conforme informação divulgada pelo g1.

Projeções globais e papel da inteligência artificial

O FMI projeta um crescimento de 3,3% para a economia mundial em 2026, o mesmo ritmo de 2025, e 0,2 ponto percentual acima do previsto anteriormente. O Fundo atribui a melhora principalmente ao aumento dos investimentos em tecnologia, especialmente em inteligência artificial.

Segundo o relatório, esses investimentos ajudaram a compensar os impactos negativos das tensões comerciais e das tarifas impostas ao longo de 2025, embora o crescimento esteja concentrado em poucos setores e regiões, o que deixa a economia global mais vulnerável a choques.

O documento também destaca que a inflação global tende a desacelerar, com a previsão de cair de 4,1% em 2025 para 3,8% em 2026, e que América do Norte e Ásia são as regiões que mais se beneficiam do avanço tecnológico.

Desempenho por regiões

O FMI estima que a América Latina terá ritmo mais fraco, com crescimento de 2,2%, levemente abaixo do previsto antes. A instituição avalia que, embora as economias tenham conseguido se adaptar às disputas comerciais, a instabilidade nas regras do comércio internacional ainda gera riscos.

Entre as maiores economias, a projeção é de crescimento de 2,4% para os Estados Unidos em 2026, contra 1,3% na zona do euro, além de ritmo mais lento no Japão. China e Índia seguem com ritmo relativamente sólido entre os emergentes.

Corte na previsão para o Brasil e efeito dos juros

O FMI reduziu a previsão de crescimento do Brasil em 2026 para 1,6%, uma queda de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa anterior. Segundo o Fundo, o principal motivo é a política de juros altos adotada para conter a inflação.

Atualmente em 15% ao ano, maior patamar em quase 20 anos, a taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central do Brasil para tentar conter as pressões inflacionárias, que têm efeitos principalmente sobre a população mais pobre.

Para 2025, a projeção para o Brasil foi levemente melhorada, passando de 2,4% para 2,5%, e para 2027 o crescimento esperado subiu para 2,3%. O FMI afirma que o Brasil ainda sente os efeitos do aperto monetário, o que limita a expansão no curto prazo, mesmo com alguma melhora prevista para os próximos anos.

Riscos e vulnerabilidades

O FMI chama atenção para possíveis riscos ligados à inteligência artificial, e alerta que, caso as expectativas de lucros e ganhos de produtividade não se confirmem, pode haver correções nos mercados financeiros, hoje impulsionados pelo otimismo com a tecnologia.

Além disso, a concentração do crescimento em poucas regiões e setores aumenta a exposição da economia global a choques externos, enquanto incertezas sobre a política comercial podem afetar mercados e investimentos.

Em síntese, o relatório do FMI reforça que, embora o impulso da tecnologia eleve as previsões globais para 2026, o crescimento do Brasil segue condicionado ao aperto dos juros e a riscos externos que exigem atenção das autoridades e dos investidores.