França vai votar contra acordo UE–Mercosul, diz Macron, e trava ratificação na UE com receio do setor agrícola e impacto ao Brasil

Declaração de Macron leva posição à reunião de embaixadores, amplia resistência de França, Irlanda, Hungria e Polônia, e coloca Itália como voto decisivo, acordo UE–Mercosul

A França anunciou que votará contra o **acordo UE–Mercosul**, e a decisão será levada à reunião dos embaixadores da União Europeia marcada para esta sexta-feira.

O posicionamento reforça a França como o principal foco de resistência dentro do bloco, com outros países também manifestando objeções, e deixa a Itália na posição de voto potencialmente decisivo.

As informações sobre a declaração foram divulgadas em reportagem do g1, conforme informação divulgada pelo g1

Posicionamento francês e reação no bloco

O presidente Emmanuel Macron afirmou que a França se opõe ao tratado e disse que não aceitará tentativas de acelerar ou impor a aprovação do pacto. Entre produtores rurais do país, o acordo é visto como uma ameaça por causa da concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e com padrões ambientais diferentes dos exigidos pela UE.

Macron já havia condicionado qualquer apoio à inclusão de novas salvaguardas para proteger o setor agrícola francês, e repetiu que, para os agricultores, “consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”.

Impacto e importância para o Brasil e o Mercosul

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado ampliaria o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, e afetaria não só o agronegócio, mas também segmentos industriais variados.

O texto, negociado por mais de 25 anos, prevê a redução gradual de tarifas e regras comuns sobre comércio de bens, investimentos e padrões regulatórios, medidas que podem transformar cadeias produtivas e fluxos de exportação.

Medida francesa sobre importações agrícolas e lista de pesticidas

Com a assinatura do acordo se aproximando, o governo francês decretou a suspensão temporária, por um ano, das importações de alguns produtos agrícolas, especialmente da América do Sul, quando apresentarem resíduos de determinados agrotóxicos proibidos no bloco europeu.

A lista citada inclui abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas, que ficarão barrados caso apresentem resíduos de cinco fungicidas e herbicidas vetados na Europa, mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil. A medida entrou em vigor no dia seguinte ao decreto e ainda depende de aval da Comissão Europeia.

Próximos passos e cenários

A posição francesa leva a pauta ao encontro de embaixadores da UE, e, dependendo do resultado, a ratificação poderia ser discutida na segunda-feira. Itália, com postura ainda indefinida, passa a ser vista como decisiva para a concretização do tratado.

Se mantida a oposição de países como França, Irlanda, Hungria e Polônia, a tramitação na União Europeia ficará mais complicada, e eventuais alterações no texto ou salvaguardas adicionais poderão ser exigidas para tentar reverter o impasse.