Frango Caro em SP: Preço Sobe com Oferta Abaixo de Níveis Pré-Gripe Aviária e Perde Competitividade para Porco

Frango em alta e porco em baixa: entenda a gangorra de preços no mercado de carnes em São Paulo e o impacto da gripe aviária.

Os preços da carne de frango têm registrado variações significativas, com um aumento notável entre novembro e dezembro. Essa alta é explicada pela redução na disponibilidade da proteína no mercado doméstico, que retornou a níveis pré-gripe aviária.

A análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq-USP aponta que a retomada gradual dos embarques brasileiros de frango contribuiu para diminuir a oferta interna.

Esses movimentos de preços impactam diretamente a competitividade entre as proteínas. Conforme divulgado pelo g1, após cinco meses seguidos de vantagem, a carne de frango perdeu espaço para a carne suína em outubro, mas a dinâmica se inverteu novamente no final do ano.

Oferta doméstica de frango se ajusta a patamares anteriores à gripe aviária

Entre agosto e setembro, a disponibilidade de carne de frango no mercado doméstico ficou em 111 milhões de quilos, um volume muito próximo aos 110 milhões de quilos registrados entre janeiro e abril de 2025, antes da confirmação do caso de gripe aviária. No auge das restrições à exportação em maio, a oferta interna chegou a superar 123 milhões de quilos.

A recuperação das exportações brasileiras tem sido um fator crucial para o enxugamento da oferta interna, buscando um maior equilíbrio entre a disponibilidade e a demanda doméstica. Esse cenário, segundo o Cepea, sustentou o avanço do preço médio mensal da carne de frango em outubro.

Competitividade entre frango e porco: uma gangorra de preços

A diferença entre os preços do frango e do porco diminuiu em outubro. Após cinco meses consecutivos de vantagem para o frango, a carne suína começou a ganhar competitividade. No entanto, a valorização da proteína avícola e a queda nos preços suinícolas inverteram essa tendência.

Em novembro, o preço do quilo de frango inteiro resfriado no atacado da Grande São Paulo apresentou uma queda de 2,1% em relação a outubro, fechando em R$ 7,77. Contudo, em dezembro, o valor subiu para R$ 8,11, revertendo a tendência de queda.

A maior disponibilidade de frango vivo para abate em novembro elevou a oferta no mercado atacadista. Somado a isso, o enfraquecimento sazonal da demanda na segunda quinzena do mês contribuiu para a queda nos valores, pressionando a média mensal.

Carne suína: menor oferta e exportações em alta ditam cenário

Paralelamente, a disponibilidade interna de carne suína em outubro foi a segunda menor de 2025, com 191,5 mil toneladas destinadas ao mercado doméstico. Esse cenário está ligado ao aumento das exportações brasileiras e à desaceleração no número de abates, que em outubro pode ter registrado uma redução de 9%.

As exportações brasileiras de carne suína apresentaram um crescimento expressivo, com a média diária de embarques em outubro sendo a maior da série histórica da Secex. O volume exportado entre janeiro e agosto de 2025 cresceu cerca de 72%, impulsionado por destinos como Chile e Filipinas.

O reconhecimento de estados brasileiros como livres de febre aftosa e peste suína clássica tem favorecido o acesso a novos mercados, como o Chile, que se tornou um dos principais destinos da proteína brasileira.

Expectativas para o final do ano: otimismo e cautela

Para as próximas semanas, as expectativas do setor são divididas. Parte dos agentes do mercado aposta em uma recuperação nos preços do frango, impulsionada pelas vendas de final de ano. Outros, no entanto, monitoram a oferta de animais vivos acima da procura, o que poderia manter a pressão sobre os preços da carne.

A retomada das exportações de carne de frango para patamares pré-gripe aviária, especialmente para a União Europeia, tem sido um fator determinante. A suspensão das vendas para a China ainda representa um ponto de atenção, pois o retorno ao mercado asiático poderia impulsionar ainda mais os embarques totais.

As perspectivas de exportações recordes de carne de frango em 2025 dependem da continuidade da ausência de novos casos de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em granjas comerciais, bem como de outros tipos de influenza.