Gastos com IA: Big techs projetam US$ 600 bilhões em 2026 na corrida da IA e deixam investidores apreensivos sobre lucro e concentração de mercado

Como os planos de gastos com IA podem reduzir margens, concentrar liderança em poucas empresas e provocar correções no mercado global de ações

Um pacote planejado de US$ 600 bilhões em gastos com IA por grandes empresas de tecnologia em 2026 provocou forte reação dos investidores, que passaram a avaliar o risco para a rentabilidade futura.

Movimentos de venda atingiram empresas de software e grupos de análise de dados, enquanto outras ações de tecnologia subiram, ampliando a volatilidade dos índices globais.

O efeito sobre o mercado e sobre empresas menores que fornecem serviços de dados acendeu alertas sobre concentração e antecipação excessiva de receitas, conforme informação divulgada pelo g1.

Reação imediata dos mercados

As ações da Amazon, que havia anunciado US$ 200 bilhões em investimentos, caíram mais de 5% na sexta-feira, 6. A Alphabet, controladora do Google, recuou 2,51% depois de informar que seus gastos podem dobrar neste ano.

Ao mesmo tempo, outras gigantes fecharam em alta, com a Nvidia subindo 7,87%, a Microsoft avançando 1,90% e a Tesla ganhando 3,50%. O índice de referência S&P 500 subiu 1,97% e o Nasdaq avançou 2,18% no dia, embora ambos tenham encerrado a semana em queda.

Quem anunciou os maiores planos de gastos

O pacote de US$ 600 bilhões inclui aportes significativos anunciados por várias big techs, com destaque para os US$ 200 bilhões mencionados pela Amazon e o aumento de investimentos comunicado pela Alphabet, que disse que seus gastos podem dobrar.

Esses anúncios reacenderam o debate sobre até que ponto a corrida da IA justifica a antecipação de receita e a diluição de margens operacionais.

Impacto sobre empresas de software e análise de dados

Setores de análise de dados e software sofreram perdas expressivas. O índice S&P 500 de software e serviços caiu quase 8% na semana e perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde 28 de janeiro.

Empresas como a canadense Thomson Reuters recuaram 0,64%, a RELX caiu 4,6% e acumulou perda de quase 17% na pior semana desde 2020. O London Stock Exchange Group também caiu quase 8% na semana.

Uma forte venda foi provocada pelo lançamento de um novo plug-in do Claude, modelo de IA da Anthropic, que aumentou o receio de que novos modelos avancem sobre o negócio de fornecedores de dados.

O que dizem os especialistas e o risco para investidores

Especialistas destacam que o mercado passou a precificar com mais cautela anúncios que, em outro momento, teriam impulsionado recordes. Andrew Wells, diretor de investimentos da SanJac Alpha, declarou, “Não é que essa tese tenha acabado, mas ela ficou cara demais ao antecipar receitas futuras sem considerar adequadamente os riscos. Por isso, trata-se de um movimento de redução de exposição”.

Carlota Estragues Lopez, estrategista de ações da St. James’s Place, afirmou, “Não é apenas o retorno sobre o investimento que preocupa, mas também o risco de uma liderança de mercado muito concentrada, restrita a poucas empresas de grande valor de mercado”.

Para Aarin Chiekrie, analista da Hargreaves Lansdown, “Tanto a Alphabet quanto a Amazon apresentaram desempenho operacional sólido, impulsionado por um crescimento em nuvem acima do esperado”, mas, segundo ele, “Mas isso não foi suficiente para desviar a atenção do mercado de seus planos elevados de investimento”.

O nervosismo também se refletiu em mercados internacionais, o índice global da MSCI recuou 0,14% na semana, e ações de exportadoras de software na Índia caíram mais de 2% na sexta-feira, eliminando US$ 22,5 bilhões em valor de mercado.

Analistas ressaltam que, embora a corrida da IA continue, investidores agora exigem sinais mais claros de retorno sobre os investimentos, e qualquer sinal de concentração excessiva de poder de mercado ou de antecipação de receitas pode provocar novas correções.