Investigação do BC no caso Master expõe atuação da gestão Campos Neto, auditoria interna revisa autorizações desde 2019 e risco de quase R$ 50 bilhões
Auditoria do Banco Central analisa decisões desde a autorização da transferência do controle do banco Máxima ao Master até sinais de liquidez em 2024, com foco na gestão Campos Neto
A investigação interna aberta no Banco Central traz novo alcance ao caso Master, ao centrar a apuração em medidas adotadas a partir de 2019.
O objetivo é revisar todo o processo que culminou na consolidação do Master, desde a autorização inicial, e avaliar se houve falhas de supervisão ao longo da gestão, incluindo sinais de liquidez identificados em 2024.
O avanço das apurações também acompanha investigações do Ministério Público Federal que apontam fortes indícios de problemas de liquidez e de vendas de carteiras fictícias em 2024.
conforme informação divulgada pelo g1
O alcance da auditoria e os pontos sob revisão
Segundo as informações apuradas, o foco da auditoria se inicia desde a autorização do BC para transferência do controle do banco Máxima para o Master, e segue pela consolidação do processo, que levou cerca de dois anos.
A revisão interna busca entender decisões administrativas, critérios de supervisão e trocas de informações entre áreas técnicas, para avaliar se as medidas tomadas foram adequadas ao risco identificado.
As apurações internas foram motivadas pela progressão das investigações externas, e pela necessidade de esclarecer se houve atraso ou omissão em alertas sobre a liquidez do banco.
Saídas de diretores e responsabilidades examinadas
Desde a abertura da auditoria interna, Paulo Sergio Neves de Souza, que chefiou a diretoria de Fiscalização desde 2017, mas atualmente comandava o Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Belline de Souza, também do Desup, entregaram os cargos.
A investigação interna mira as ações tomadas durante a gestão Campos Neto, inclusive decisões e autorizações assinadas no período a partir de 2019, e avalia possíveis omissões que possam ter contribuído para o agravamento da crise.
Impacto financeiro e próximos passos
O caso traz consequências financeiras relevantes, porque a liquidação de uma instituição financeira é uma medida drástica, mas que, segundo a apuração, poderia ter evitado um rombo que só ao Fundo Garantidor de Créditos está custando quase R$ 50 bilhões, além de afetar fundos de pensão e outros investidores fora da cobertura do FGC.
A auditoria interna deve confrontar documentos, comunicações internas e cronologias de decisão para apontar responsabilidades e recomendar medidas administrativas ou melhorias na supervisão.
Enquanto isso, o Ministério Público Federal segue com investigações que podem complementar o trabalho do Banco Central e influenciar desdobramentos jurídicos e regulatórios do caso Master.